Saúde, Jaguariúna!

Sabia? O bacalhau português vem da Noruega e a castanha-do-pará, de Rondônia. O pequi cuiabano dá em Goiás. A peixada dos restaurantes da Cachoeira de Emas, em Pirassununga, só tem peixe de Mato Grosso do Sul. O chapéu texano era feito aí, na fábrica de chapéus Cury; o pneu americano tinha látex da Amazônia; o chocolate suíço tem cacau da Bahia e o coco da Bahia, às vezes, vem do Ceará.

E agora, o chope do Pingüim vem de Jaguariúna!

A Antarctica entregou os pontos.

Primeiro, ela parou de fazer cerveja e hoje só faz refrigerante em Ribeirão Preto. Os últimos 1.800 litros de chope da mina nativa escoaram para goelas privilegiadas, segunda-feira passada. O Pingüim, que vende três mil litros por dia do precioso líquido nesta cidade, quente como o inferno e gostosa como poucas, garante que o sabor não vai mudar. Não tenho coragem de experimentar.

Amigos já me ligam, para saber como chegar a Jaguariúna. O Pingüim vai pôr Jaguariúna no mapa dos prazeres. O jeito é mudar pra lá, levando a Praça XV, o Theatro Pedro II, a orquestra sinfônica e o calor.

Pode ser o fim da lenda dessa choperia, fundada em 1943. Nem os homens da Antarctica explicam, mas esse chope é diferente de tudo o que se serve no mundo. Uns arriscam que é a água de Ribeirão – toda de poços artesianos. Também falam num encanamento de 1.200 metros que liga a extinta cervejaria à mágica choperia. Outros apostam no tratamento secreto da serpentina, de “milhares de quilômetros”, que percorre os barris.

Meu palpite é outro. O segredo está na simpatia dos garçons, alguns com mais de 40 anos de casa, que andam quatro quilômetros por dia entre as mesas para servir aquele chope de Deus. Entrei ali pela primeira vez, há mais de quarto de século, quarta-feira de calor, como todos os calores de Ribeirão. Quando seo Abílio chegou com o primeiro chope, pedi: “Quero feijoada”. Ele rebateu na bucha:

— Tá louco? Um calor desse; você, gordo desse jeito, vai comer feijoada? Nada disso. Vou trazer um filé com legumes, que também acompanha muito bem o chope.

Pregado no poste: “A Petrobrás mata e manda a conta das multas e indenizações para o povo”

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