Samba do crioulo doido

 

Estou parecendo aquele compositor de samba-enredo criado pelo insuperável Stanislaw Ponte Preta. Troquei tudo, terça-feira. Toca o telefone e o Zeza Amaral, nem se identifica, já começa cantando:
“Atentou contra a existência, em seu humilde barracão; Joana de Tal, por causa de um tal de João; Depois de medicada, retirou-se pro seu lar; Aí, a matéria carece de exatidão; O lar não mais existe, ninguém torna o que acabou; Joana é mais uma mulata triste que errou; Errou na dose, errou no amor; Joana errou de João; Ninguém notou, ninguém morou; Na dor que era o seu mal. A dor da gente não sai no jornal…”
Falando das (poucas) músicas inspiradas pela imprensa, eu disse que essa, “Notícia de jornal”, é do Chico Buarque. “É do Nelson Cavaquinho”, ensinou o Zeza. “É do Nelson Cavaquinho”, confirmou o Edmilson Siqueira, por e-mail. “Desculpe! É do Luís Reis e Haroldo Barbosa”, corrigiu-se o Zeza. “É do Luís Reis e do Haroldo Barbosa!”, corrigiu-se, três minutos depois, o Edmilson. Pra mim, estavam mancomunados nos erros e acertos da vida.
O Zeza aproveitou para lembrar-se daquele freqüentador anônimo da Paraguaia, citado nesta nossa conversa de sábado passado: “Antes de ir para o Centro da cidade, ela tinha casa lá pra cima da Lagoa do Taquaral. Naquele tempo, se chamava Grameiro, hoje é o Parque Portugal. Sei disso porque entregava leite e pão naquela casa, pra ela e pras meninas.”
Leite e pão, né Zeza?
Mudando de assunto. Está na rede. A ONU fez uma pesquisa mundial: “Por favor, diga honestamente, qual sua opinião sobre a escassez de alimentos no resto do mundo.”
Resultado desastroso. Os europeus não entendem o que é “escassez”. Africanos não sabem o que é “alimentos”. Os argentinos ignoram o significado de “por favor”. Os americanos perguntam o que é “resto do mundo”. Os cubanos estranham e pedem mais explicações sobre “opinião”. E o Congresso brasileiro ainda está debatendo o que quer dizer “honestamente”.
Pregado no poste (em Paulínia): “Você pode confiar na Shell?”

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