Salada atômica

Para que servem cobras e baratas? Pois é. O cientista Carlos Júlio Laure, da USP aqui de Ribeirão Preto, quase me estrangula quando eu disse que o mundo seria muito melhor sem esses bichos. Sem os políticos, também. (Quanto ao sumiço dos políticos, é bom que se diga, ele não repetiu a ameaça.). Começando pelas baratas: sem elas, pelo menos nas cidades, a vida seria insuportável. Se entendi bem, elas absorvem gases dos esgotos, impedindo que eles se propaguem – um fedor de matar.

E as cobras? “Num mundo sem elas, a humanidade começaria a morrer de fome em 30 dias.”. São as cobras que melhor controlam a população de roedores – ratos, principalmente – que já comem pelo menos 25% dos alimentos, das fazendas aos armazéns. Ele dispara uma alarme: “Esses casos de hantavírus provocados por ratos, cada vez mais freqüentes e fatais a partir da zona rural, se devem a uma redução brutal das cobras nos sítios e fazendas. Elas não podem ser mortas!”. Portanto, o negócio é não matar as cobras.

Sexta-feira, na hora de buscar o pão da tarde na padaria aqui da esquina, o doutor Laure me telefonou para um cafezinho. Vinha com o “Jornal da USP” debaixo do braço. Abriu no balcão e apontou para a reportagem do Renato Soares Siqueira: “Falo isso há mais de dez anos! Desconfiam de contaminação da alface por urânio!”.

O Renato esclarece: “O urânio pode decair em partículas que penetram nas células, quebrando e alterando a divisão celular. Com esse desequilíbrio formado, pode-se causar um tumor.”.

O texto diz tudo: “O Laboratório Acelerador Linear do Instituto de Física da USP vem desenvolvendo uma pesquisa bastante original sobre a quantidade de material radioativo em alimentos. Os pesquisadores alertam que as taxas de urânio encontradas são muito maiores do que as permitidas pela Organização Mundial da Saúde. O coordenador do projeto, o professor João Arruda Neto, diz que é muito importante esse estudo, pois examina a presença de urânio em nosso organismo devido a uma ocorrência natural, ao contrário do que se faz normalmente, que é estudar o efeito provocado externamente pela radiação.”.

O alerta continua: “Na plantação de verduras se usa adubo fosfatado (o mesmo fertilizante aplicado em larga escala no plantio de tabaco – daí os cigarros brasileiros terem alto índice de urânio). Por isso, é de se esperar que exista certa taxa de transmissão do urânio encontrado no adubo para o caule, e posteriormente os frutos também venham a receber uma certa dose.”.

Cuidado: “Se uma pessoa ingere esse alimento, certamente seu organismo irá absorver parte desse urânio, que se depositará em seus tecidos e órgãos. A pesquisa foi feita em cima da dieta básica de consumidores da classe média brasileira. Os pesquisadores advertem que, com o passar do tempo, se forma uma concentração de urânio que pode ser letal.”.

Atenção: “Atualmente, os pesquisadores estão interessados em estudar a absorção do urânio pela alface, que é um vegetal bastante consumido pela maioria das pessoas.”. A próxima etapa é descobrir que partes da alface mais absorvem urânio, “para orientar a população a evitar seu consumo, evitando-se, também, que aumente a concentração de urânio no organismo.”. Brrr!!!

Pregado no poste: “Não coma alface, não mate as cobras nem mostre os paus”

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