Safra da morte

É tempo de festa na fronteira. Começou a maior safra da maconha, do Paraguai à Bolívia, unindo matogrossenses do Sul e do Norte, brasileiros de toda a parte. Quem colhe ganha R$ 30,00 por dia; quem trafica compra por R$ 30 o quilo e vende por 800. A safra nos 21 mil hectares cultivados no Paraguai, maior produtor do mundo, é boa. São duas colheitas anuais, mas já existe maconha transgênica, “la mentolada”, com quatro ciclos por ano e 200% mais produtiva, embora os viciados a disputem com as formigas, que adoram dar um tapa é nessa.

Assustado? Um governador da província paraguaia de Amambay, capital Pedro Juan Caballero, me disse que o plantio de maconha é realizado por brasileiros e financiado pelo Banco do Brasil, como qualquer lavoura: “O señor crê que algum fiscal verificará se o dinheiro emprestado para plantar milho no Brasil foi desviado para a maconha? Aqui, os camponeses paraguaios arrendam a terra para brasileiros – o resto é festa, com lucro de mil por cento!”

Só faltava a cotação sair da Bolsa de Mercadorias. Há uns vinte anos saía, por tabela. O valor do milho no mercado balizava tudo na base do 100 X 1. A maconha custava 100 vezes o preço do milho no dia da compra e venda.

Agora, mudou tudo. A safra da maconha também acontece em Pernambuco, Piauí (os maiores produtores), Bahia, Matos Grossos — até em casas da Cidade Universitária, em Barão Geraldo, a polícia já encontrou viçosas plantações.

Quinta-feira caiu a última barreira, que tirou a maconha das páginas policiais e a entronizou na seção de agronegócio. Ousadia da respeitável “Gazeta Mercantil”, dos mais antigos jornais de Economia do Brasil. Cautelosamente, como manda a conduta dos leitores de publicações desse segmento, a ‘Gazeta’ preferiu falar, por enquanto, do negócio nos EUA. Mas foi direta:

“A maconha fincou raízes na economia da Califórnia, que hoje lucra milhões de dólares com os agricultores que a cultivam legalmente, ‘para fins medicinais’. A erva representa metade da economia do condado de Mendocino. Só na Califórnia, o negócio movimenta US$ 14 bilhões por ano e paga US$ 1,3 bilhão de impostos.”

Pronto! Aqui, ninguém mais vai censurar a presença do ministro Carlos Minc na Marcha da Maconha nem ironizar que ele ocupou o Ministério do Lulla para preencher a cota do tráfico, desfalcada com a saída do Gilberto Gil, que disse publicamente: “Uma picadinha é igual a uma cervejinha…”

Pregado no poste: “Ninguém sabe o dedo duro que dei…”

 

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