Sabendo pilotar, não vai matar

Devemos a eles a primeira revolta popular depois da ditadura militar. Foi em fevereiro de 1979, 36 dias após o fim do Ato 5. Numa blitz, oficiais do Exército, pensando que ainda fossem donos do mundo, perseguiram um motoqueiro que se recusou a parar e o fuzilaram, quando ele chegava em casa. Passo Fundo, no Rio Grande do Sul, viveu uma batalha campal. Foram três dias de tiroteio mais três mortos, porque as autoridades se negaram a punir os assassinos. O cortejo que acompanhou o corpo de Clodoaldo Teixeira ao cemitério tinha 10 mil pessoas que, ao voltarem para a cidade, descarregaram a ira contra a corporação militar. Rendeu filme e teses acadêmicas.

Hoje, a história se repete como farsa: motoqueiros se julgam donos do mundo. Outra dia, um deles, costurando a rodovia Santos Dumont, quebrou com o guidão o retrovisor de um carro. No congestionamento, na frente do Oziel, o motorista cobrou o estrago, mas imediatamente, a gangue de “colegas” fechou o cerco para intimidar a vítima. Para a Polícia Rodoviária, o aprendiz de besta alegou que trafegava pela “faixa dos motoqueiros”, como se isso existisse. Corajoso, o policial acabou a confusão: “Vou multar você; vocês aí, circulando, se não, multo todo mundo”.

Experimente ao menos reclamar das barbeiragens de um motoqueiro dessa laia. Vão pegar você nos confins da cidade. Agem com espírito de corpo e de porco, escondidos pelo capacete – disfarce permitido pela “constituição cidadã”, que os protege da “sociedade injusta, violenta e judaico-cristã ocidental” (Decorei o jargão.). Eles podem ameaçar; o povo não pode se defender. O artigo 244 do Código Penal permite ao policial abordar e vistoriar moto e motoqueiro, por exemplo, para averiguar se ele trafica drogas. “São maioria; mas você acha que sou louco de enquadrá-lo? Tenho família pra sustentar, meu!” Tem razão, o soldado. Lá em Brasília, o Lula diz que governa, aqui embaixo, a Nação é solapada.

Provas de que os maus estão na raiz dos males: na cidade de São Paulo, a cada dez roubos, seis são praticados por motoqueiros. Na pequenina São Sebastião das Alagoas, o juiz de direito Jairo Xavier da Costa proibiu o uso do capacete — dez assaltos em três meses foi demais: “Bandido aqui tem de tirar o capacete, pra gente ver a cara dele!” Resultado: simplesmente reduziu a zero o numero de roubos e assassinatos no lugar.

Pregado no poste: “Bandido de moto faz mortos”

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