Roliça militar

A televisão exibiu, o mundo viu, mas ninguém riu, porque não era picadeiro. Outro arrastão acabara de passar e a cena, digna só de Sancho Pança. Três policiais tentavam catar do chão, pertences das vítimas que as ‘vítimas da sociedade’ não levaram. Fugiram deixando relógios, alguns colares, poucas carteiras. Tudo o mais foi-se. Um soldado, coitado, levado pelo peso da barriga, caiu de boca. Outro, mais esperto, sabia que se tentasse, a calça da farda não resistiria. O terceiro, que humilhação!, contou com a ajuda de uma mulher roubada para recolher a algema caída, justamente porque ele não achava a própria cintura para prendê-la. Os Três Patetas não fariam melhor. Foi no Rio de Janeiro, mas observando bem, poderia ser aqui, lá, acolá.

Quando se preparavam, constrangidos, para voltar à viatura, outra caricatura. Chamam aquilo de coletes salva-vidas. Salvar como? Nenhum deles se fecha no peito… De peito aberto, feito toureiros, o jeito é confiar na grossa camada de gordura que, no caso, protege coração, até que a primeira perseguição aos bandidos o enfarte.

Falta preparo físico, químico e jurídico aos agentes da lei. Enquanto aos bandidos sobram disposição física, pois estão sempre prontos a correr; químico, se injetarem o que traficam, e jurídico, se forem ricos para contratar advogados.  É como perseguir Mercedes com Fusquinha, como era obrigada nossa gloriosa Polícia Rodoviária, por falta ao menos de um rádio para pedir que colegas do próximo posto cercassem o bólido. Nem por isso eram gordos.

Os de hoje superam até o empedernido sargento Tainha, no Quartel Swamp, das tiras do Recruta Zero. Na telinha, o sargento Pincel, d’Os Trapalhões, deve ser outro de seus musos inspiradores. Mas o Oscar vai para aquele sargento Garcia — ele pensa até hoje que Don Diego é seu amigo, e o Zorro, seu inimigo. De tão gordo, não percebe que são a mesma pessoa. Comandante, porque o sargento é sempre representado pelo mais pançudo da tropa? Durante a ordem unida, eles marcham empurrando o da frente com a barriga?

Vicentão Torquato, que de magro não tem nada, dá a receita para eliminar a causa de tanta flacidez abdominal: o mesmo governo que proíbe às cantinas das escolas venderem salgadinhos para não inchar as crianças, deveria impedir policiais militares de fazerem ‘bico’ em padarias, dia e noite, noite e dia, sem parar. Ou você consegue imaginar uma padaria sem um PM de plantão?

Pregado no poste: “Hoje é aniversário do Alo, dono da melhor cantina do mundo, a do antigo Culto à Ciência. O melhor amigo de todos os jovens!”

 

 

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *