Repórter sofre…

Eusébio, Coluna e Simões foi o trio da seleção portuguesa que eliminou a brasileira da Copa do Mundo na Inglaterra, em 1966. Eusébio era o “Pelé” da Europa, naquele tempo. E Simões, o outro alvo das atenções: medico e filho da lendária Maria Pintassilgo, ministra da já moribunda ditadura do Oliveira Salazar.

Uns dez anos depois, numa tarde de treino no “Brinco de Ouro”, um baixinho chamado Simões, falando português com o sotaque da santa terrinha e a cara do famoso ponta-esquerda, estava em pé à porta do vestiário do Bugre. Juarez Soares, o grande “China”, pela “Globo”, e Renato Otranto, o grande cabeça da imprensa nacional, pelo nosso “Correio”, encafifaram com o baixinho. “Olha como aquele cara é a cara do Simões, Renato. É… O Simões de Londres.”. Renato arriscou: “Ô, Simões!”. E o Simões respondeu: “Sou eu?”. Foram lá.

O baixinho confirmou tudo: Simões, o da Copa do Mundo que a Inglaterra tirou da Alemanha; o mesmo que arrasou o Brasil, apesar da histórica manchete do “Jornal da Tarde” daquele dia terrível: “Pelé, jogai por nós”. Caçado, nem jogou. Mais: “Sim, sou dotoire e filho da senhora Pintassilgo, pois, pois”. E se explicou: estava em Campinas, porque pretendia se mudar para esta cidade; e como médico, pensava em montar um consultório. O “Correio” noticiou toda a história, até com aquele orgulho de campineiro, quando alguma personalidade de fora escolhe sua terra para viver… A “Globo”, também. Sem aquele orgulho, claro.

Simões também montou o sonhado consultório: na Glicério esquina de General Osório, Edifício Güernelli, onde também funcionava a Rádio Educadora. Juro por Deus: até tratou de uma gripe do Renato. Com homeopatia. E o Renato sarou.

Um belo dia, dois ou três anos depois, Simões foi preso. Não porque a polícia tivesse descoberto um charlatão, mas porque ele havia agredido e ameaçado de morte uma moça. Aí, sim, vasculhando a ficha do pilantra, viram que o Simões não tinha nada do ilustre craque lusitano. Era um grande bandido. O Renato diz que ele está preso até hoje, em Caraguatatuba.

Pregado no poste: “Não confunda pato no tucupi com índio tupi no… bolso do pato.”

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