Reencontro

Santo Deus, Beto Godoy! O nosso Correio Popular está chegando ao Uruguai! O campineiro Celso Caldas (Conhece? Nem eu…), morador em Montevidéu, me mandou uma cartinha, falando da saudade das campineiridades que lhe apertam o coração. Encontrei o Celso, por telefone, na manhã de domingo passado, para agradecer a carta, e ele contou que trabalha na Souza Cruz (aquela do “O meu coração é só de Jesus e o meu pulmão é da Souza Cruz…). Está lá, cuidando de uma fábrica de cigarros e passou um ano em Cuba, de costas para a liberdade, mas nunca deixou de receber o Correio, enviado por amigos e pela irmã, que vivem na nossa cidade.

São lembranças de gente como a gente, para quem não há distância que apague esta terra da alma. Diz, Celso:

“Você freqüentou a matiné do Cine Santa Maria e seus seriados? Assistiu, amedrontado, às missas do padre Machadinho? Ouviu transmissões de futebol com Alfredo Orlando, Mário Pontes Melilo ou Sérgio Salvucci? Negue que você ouvia, na PRC-9, ‘A hora do trabalhador, uma hora de alegria para quem sua todo dia’ e ‘Consulte seu Atlas’, com Júlio G. Atlas. Mesmo sem confessar, você ouvia ‘Campinas sábado à noite’ e ‘Por que hoje é sábado’. Ou não? Mas você se lembra muito bem de Sérgio Batista, Durval Biondi, Jolumá Brito, Clara de Oliveira, Geraldo Lamana e Paulo Sillas. Ou já se esqueceu?”.

O Celso vai fundo na memória: “E os dérbis famosos, em que o Guarani mostrava Eraldo, Diogo e Cabrita e a Ponte Preta, Esnel, Bruninho e Carlito Roberto? Sem dúvida, você assistia ao cestobol, fazendo muito barulho só para irritar o grande árbitro Renato Righeto. Nas manhãs de domingo, você resistia a dar uma passada no Externato São João, para ver futebol dos alunos do Dom Bosco? À tarde, talvez fosse melhor jogar contra o time dos Marianos, no campo do Cruzeiro, já que eles não podiam revidar às possíveis botinadas. Confesse: você já namorou ouvindo músicas no Serviço de Som do Bosque dos Jequitibás, do Wladimir Matiazzo?”

Mais: “Você, que fez exames de habilitação nos Jeeps do Evangelista, não admirava a perícia do Adherbal Cury? Não gostaria de ter dirigido o Chevrolet Impala do Batuta? Sei que você se lembra muito bem dos lenços de seda do Abel Pedroso ou dos impecáveis ternos do doutor Romeu Tórtima. Quantas vezes você parou na porta do Hotel Terminus para assistir à performance espalhafatosa do guarda civil Zelão, o apito de ouro? Você comprou discos na Casa Fausto? E sapatos, na Picolino Calçados (Esquina quente, Campos Salles com Regente)? Tomou sorvete na Capeli, dos irmãos mais fortes da cidade?”

Dá-lhe, Celso: “Você se lembra dos bailes com a Orquestra Nelson de Tupã? E do Conjunto 707? Recorda-se, ainda, do som do Arnold e até do Nello e seu regional? Em suas andanças pela periferia, quantas vezes se deparou com a lona colorida do Circo Irmãos Almeida? Você ainda se lembra das aulas de Educação Física do professor Mezzacapa? Acho que você não escapou de assinar os livros de ouro do Zé do Pito ou do trio Edgard, Chita e Golê”.

PS: Beto Zini, haverá dérbi no ano que vem?

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