Quintal do mundo

 

Coisas daquele paisinho de quinta que circunda Campinas por todos os lados. E já está sufocando.

Sabe aquela louvável campanha pela privatização? Nada contra. Aí, vem o governo orgulhar-se do ágio com que “consegue” vender as estatais. Nada contra. Depois, vem o golpe: esse ágio não fica com o País. Ele vai ser abatido no Imposto de Renda das empresas particulares que compraram as estatais.

O governo alardeou, também, que a privatização é uma grande máquina de gerar empregos. Ótimo! Aí, veio o golpe: as empresas, quase todas estrangeiras, que entraram na privatização, já empregaram cerca de cinco mil trabalhadores. Ótimo! Todos estrangeiros. Quem faz a conta é o Osires Lopes Filho, ex-dono do “Leão” da Receita Federal.

O melhor (ou pior) vem agora. Fiquei sabendo semana passada. Uma usina de açúcar do interior paulista fez um contrato de co-geração de eletricidade com uma ex-estatal da luz. É assim: a usina queima bagaço de cana em suas caldeiras para gerar eletricidade de uso próprio. Como sobra bagaço, sobra energia. Então, ela vende esse excedente para as empresas de eletricidade. Bom negócio para todos: usina, empresa de energia e consumidores, principalmente, porque reduz o risco de blecaute. Luz mais barata, limpa e firme.

Na hora de assinar o contrato, o dono da usina de açúcar caiu de costas. Uma das cláusulas determina que qualquer questão jurídica será julgada pelo fórum de…  Montevidéu (!). Ele questionou o absurdo com a sócia (gringa) da ex-estatal da luz e ela, perdida no mapa do mundo, argumentou com a cara mais lavada: “Escolhemos o fórum de uma capital que não fosse Brasília…”. Esses gringos não sabem nem onde fica o Brasil. Para eles, a América do Sul é um quintal só. E o Brasil deve ser aquela lata de lixo jogada no fundo desse quintal.

Em tempo: refizeram o contrato e elegeram como fórum… Paris.

Pregado no poste: “Enganam FHC ou é ele que engana a gente.”

E-mail: jequiti@zaz.com.br

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