Quieta, dona Izalene!

Prefeita, não me vá a senhora achar ruim com seu secretário de Obras, senhor Ronaldo Hipólito, porque ele sumiu na noite de sexta-feira, quando aquela mancha de óleo invadiu, ameaçadora, a Lagoa do Taquaral. Ele sabe de quem fugiu.

(Falar nisso, não confunda secretário de Obras com secretário que obra. Não, prefeita, a senhora sabe que o que se obra no cargo não pode ser chamado propriamente de obra de arte, muito menos de cultura.).

A notícia do repórter Diego Zancheta começou do mesmo jeito que qualquer repórter está acostumado a noticiar o envenenamento periódico promovido pela Petrobrás nos mares do Brasil: “Uma imensa mancha de óleo sem origem identificada atingiu no início da noite desta sexta-feira a lagoa do Parque Taquaral, em Campinas. A poluição se concentrou nas margens e revoltou as pessoas que presenciaram a agonia dos cardumes em busca de um ponto da lagoa ainda não atingido. Até as 22h20 desta sexta, nenhum representante da Prefeitura foi localizado para falar sobre a contaminação. Perplexos, os freqüentadores da lagoa afirmaram nunca ter visto uma mancha de poluição tão grande invadir o manancial em menos de duas horas.”.

Basta trocar “Lagoa do Taquaral” por “Baía da Guanabara” ou “São Sebastião”; “freqüentadores da lagoa” por “banhistas” e “representante da Prefeitura” por “representante da Petrobrás” ou “da Cetesb”. E fica tudo igual.

Enquanto carpas e piaparas agonizantes tentavam respirar, ninguém achava ninguém da Prefeitura da terra de ninguém para tomar providências, salvar a vida da lagoa e descobrir os culpados pela calamidade, palavra que, em Campinas, rima com cidade.

O título da notícia intrigou: “Campinas — Mancha de óleo atinge parque”. Campinas nunca teve petróleo, uai! Mas mancha… Ah, mancha já tem bastante. Aí, veio a preocupação. A senhora, querida dona Izalene, se lembra de que uma sua amiga me escreveu indignada porque a tratei de “alcaida”? Pois é. A senhora também sabe que o George Bushinho não é lá muito chegado ao conhecimento das coisas. E é louco por petróleo. Afinal, esse é o negócio da família dele. Ele também gosta de álcool, mas ainda não tem carro a álcool. Se essa notícia chega à Casa Branca, a senhora já viu o nó na cabeça dele? “Mancha de óleo em Campinas?! A cidade é da Al Qaeda?! Fogo neles, Powell, fogo neles!”

Pregado no poste: “Medo de CPI? Quem não deve não teme, prefeita!”

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