Quem te viu…

Seo Pagano, desculpe incomodar o senhor. Prometi a mim, em respeito à sua idade, ao seu passado e à admiração que tive (tive!) pelo senhor, nunca mais demonstrar minha decepção. Decepção, porque o senhor já foi um dos meus orgulhos de ser campineiro. Sempre me orgulhei mais das pessoas desta Campinas (e o senhor… foi uma delas) do que de sua fachada, sua luminosidade, suas obras, seu patrimônio histórico.

Prefiro falar de Carlos Gomes, Hércules Florence, Corrêa de Mello, Maria Monteiro, alecrins e jequitibás, doutor Alcides Carvalho, professor Celso Maria de Mello Pupo, Guilherme de Almeida, Teresinha Ferrão, dona Célia Farjallat, Zeferino Vaz, Barreto Fonseca… Da Campinas dos cientistas do Instituto Agronômico, dos grandes mestres de nossas escolas, da orquestra do Benito Juarez, do Ramos de Azevedo, do padre Landell, do professor Amaral Lapa, do José Alexandre dos Santos Ribeiro, do Victor Baranauskas, do Evaristo Miranda, do Beto Godoy, do Toninho Costa Santos, do Eustáquio Gomes e do J. Toledo.

Falo com prazer, sempre, dos nossos tipos populares, por que não?, do Mané Fala Ó, da Gilda, do Zé Trovão, do Dito Colarinho, da Maria Batalhão. Até da Paraguaia eu falo, sem constrangimento. São nossa gente. Fico feliz por saudar com orgulho gestos bonitos de anônimos, flagrados pelo Correio.

Sem pieguice, falo dos meus colegas que muita gente e o senhor também conhecem, como Renato Otranto, Adriana Miranda, Dario Carvalho Jr., Maria Teresa Costa, Carlito Tôntoli, A. J. Hermegildo, Silvana Guaiume, José Pedro Martins; da gente de rádio, com quem aprendi muito, como Zaiman de Britto, Zé Sidnei, Geraldo Sussoline, Mário Melillo, Sérgio Batista, Renato Diogo…

Veja que nenhuma dessas pessoas é ou foi orgulhosa, mas também são responsáveis pelo nosso orgulho de ser campineiros. Como o senhor foi, seo Pagano, um dia, nosso herói da resistência contra a ditadura, de quem eu ouvia falar com admiração em todos os cantos deste país.

Agora, o senhor deixa 50 mil crianças sem merenda. Tenha dó, seo Pagano!

Pregado no poste: “Crianças condenadas à pena de fome”

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *