Quem procura…

Existem perueiros, porque o transporte público é um deboche. Existem camelôs, porque não se exige nota fiscal deles e há freguesia. E eles rendem votos. Assim como há freguesia para a prostituição. Aliás, qual dessas duas é a mais velha das profissões? (Dia desses, a Repórter, assim, com maiúscula, Adriana Miranda mostrou nua e crua a quantas anda o trotoar em Campinas. Agora, elas estão no Cambuí, e a rua é de meninas mais sofisticadas, excluídas, sim, do convívio, por falta de oportunidades num país de autoridades oportunistas.). Há plano de saúde, porque o SUS é um escândalo. Escolas particulares proliferam, porque o ensino público é outro deboche – com alunos e professores.

Revistas pornográficas enfei(t)am bancas pela cidade, porque há fregueses, assim como o tráfico de drogas avança, fazendo vítimas escravas cativas, porque há compradores e autoridades frouxas, como demonstra – o óbvio – essa CPI. Ratos, leões, louros e o diabo infestam a TV, porque há patrocinadores — e parte da população, imbecilizada por falta de chances na vida, não sabe o que é bom e perdeu a capacidade de se indignar contra essa TV. “No Brasil, pior cego é o que vê TV”, conclui Millor Fernandes que, nos tempos do Pasquim, já nos rotulava: “Videotas!”.

É tudo questão de oferta e procura. Sempre que alguém estiver interessado em comprar alguma coisa, haverá quem a produza. Não é possível revogar a lei da oferta e da procura, ela é tão velha quanto a mais velha das profissões. Também, é impossível combater a oferta. Fecha-se um ponto aqui, abre-se outro mais adiante. E basta proibir, para a oferta crescer. Nunca se bebeu tanto nos Estados Unidos como nos tempos da Lei Seca…

Jean Baptiste Say, filósofo francês do século 17 para o 18, já ensinava que não adianta combater a oferta. É preciso ensinar a quem procura. Talvez, se proibirem a camisinha, seu uso se alastre e a Aids diminua seu ímpeto…

Pregado no poste: “A miséria é a oferta dos políticos”

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