Quem imita inimigo é

O ex-senador Paulo Brossard procurou Tancredo Neves, certo de que seria escolhido ministro da Justiça da ‘Nova República’. Bem mineiro, Tancredo arrumou a saída: “Diga ao povo que eu o convidei, sim, mas você não aceitou”. E o Fernando Lyra acabou ministro. Esse argumento genial não é de um mineiro, mas de um ex-governador paulista, raposa como Tancredo, e toda a história começou com uma imitação.

O jornalista Ferreira Neto, falecido, imitava com perfeição o ex-governador A. de Barros. Da Sala de Imprensa do Palácio dos Campos Elíseos, então sede do governo paulista, ligou para Edmundo Monteiro, diretor dos Diários Associados, convidando-o para a presidência do Banco do Estado de São Paulo. Edmundo voou para o palácio e passou todo pimpão pelos jornalistas, anunciando que o governador o convidara para o cargo. E saiu amarelado com aquela desculpa que o Tancredo inventara para o Brossard.

Imitações como essa, de um radialista da Rádio “El Zol”, de Miami, com programação dirigida aos cubanos da ilha ali ao lado. Semana passada, ele telefonou para o Fidel Castro (também conhecido como Pinochet de Cuba), imitando o presidente Hugo Chávez, da Venezuela. O ditador cubano caiu como um pato, ficou bravo, xingou, e desligou o telefone. Nem bina existe lá. É o mesmo radialista que há meses ligou para o Chávez imitando o algoz barbudo. Outro “pato”.

(Por falar em pato, circula na rede mundial um apelo da ditadura da ilha, pedindo ao mundo que condene os EUA. Sabe como é, quem tem, tem medo… E o nome de cada signatário aparece na lista, que, claro, já está bem grandinha. Só que algum gaiato – um brasileiro? – mandou a mensagem de repúdio ao Bushinho assinada por um tal ‘Donald Duck’, ou seja, o Pato Donald. Como o Bushinho é muito inteligente e não aceita brincadeiras, como o Fidel, é capaz de bombardear a Disneylândia.)

Tom Cavalacanti, imitando o Lula, também aprontou: ligou para os senadores Mercadante, Arthur Virgílio e Tião Vianna, esculhambando cada um, exigindo patriotismo deles na votação das reformas. Ainda chamou o Mercadante de “fraco”. Eles acreditaram, ficaram constrangidos e abatidos, até descobrir a brincadeira, armada pelos senadores Tasso Jereissati e Patrícia Gomes, atual ex-do Ciro, cearenses como o Tom.

Logo que a ditadura militar se instalou, em 1964, aquele pânico. Todos com medo dos militares. Eis que o chefe de Gabinete do então prefeito Ruy Novaes diz, apavorado: “Doutor Ruy, doutor Ruy, um general ao telefone, doutor Ruy!!!” O prefeito atendeu e quase quebra o fone na cabeça do assustado: “Que general, Barbosa! É da General Eletric, me convidando para uma solenidade aí em Sumaré…”

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