Quantos sobreviverão?

O guarda de trânsito foi paraninfo dos formandos do antigo curso ginasial da Escola Normal. Sozinho, cuidava da segurança e da travessia dos jovens e das crianças pela Avenida Anchieta. A senhora se lembra dele, dona Célia Farjallat?

Em volta do Culto à Ciência, era dona Gladys, nosso anjo da guarda. Ninguém sabia. Seo Telêmaco nos contou pouco antes de cumprir a missão de dirigir um colégio no céu. E algum louco ia se arriscar a passar em volta da nossa escola, com dona Gladys de santa protetora? Saíamos daquele templo às onze e meia da noite, pela rua Hércules Florence, Delfino, Glicério até a Catedral, passando pelos pontos de ônibus de cada um. Faça esse trajeto hoje…

Os fins de noite eram coalhados de estudantes que davam duro o dia todo e freqüentavam os cursos noturnos; eram os últimos a deixar as ruas. Depois deles, só a guarda-noturna, inspetores de quarteirão (os tranca-ruas) e os ladrões de galinha.

Para sentir (medo) como está o mundo em que vivemos, dê uma lida neste trecho de uma reportagem publicada dia desses no Jornal da Tarde: “Com 5,3 mil alunos, o colégio Dante Alighieri, não esconde a preocupação com a segurança e mobiliza uma equipe de profissionais que se vale de alta tecnologia. Mais de 100 homens trabalham internamente e 12 nas imediações do colégio. Foi instalada uma cerca eletrificada na escola. Os 31 ônibus que transportam 1,2 mil alunos são rastreados por tecnologia militar israelense. Pelo computador, o setor de tráfego do colégio sabe exatamente as ruas por onde está passando cada um dos ônibus e quais os alunos que estão dentro deles. Se o motorista desviar uma rua do trajeto sem avisar a central, um alarme toca na escola e outro na empresa que montou o sistema de segurança. O condutor é chamado pelo rádio. Se não responder, a empresa contratada aciona o esquema de segurança terrestre e aéreo. Os veículos têm portas dos dois lados. O objetivo é o aluno descer exatamente na porta de casa. A preocupação dos pais é tanta que muitos alunos moram a cerca de 300 metros da escola e mesmo assim são levados de ônibus.”.

Isso é pra quem pode. E quem não pode? Ou cada vez menos podem, porque quem pode não deixa nada para eles?

Pregado no poste: “Socorro!”

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