Quando?

Sejamos justos: Informação em tempo real no Brasil existe desde 1922, quando Roquete Pinto implantou a primeira estação de rádio, a Sociedade Rádio Clube do Rio de Janeiro, com mais de vinte anos de atraso, porque já naquela época, a ignorância e ‘chucrice’ dos governantes acharam louco o padre Landell, pioneiro da radiofonia mundial.

Tão real, e rápido, nenhum meio de comunicação consegue ser mais ágil do que o rádio até hoje. Por isso, ninguém erra mais do que os que fazem o rádio ao vivo, principalmente neste país que fala de um jeito, escreve de outro e pensa (quando pensa) ainda de outro. E nada mais real, rápida e alucinante do que a narração de um jogo. São verdadeiros heróis esses locutores. Precisam de (raio)ciocinío’ ágil, pulmão de aço, garganta de titânio e visão de lince – fora um conhecimento acima da média do idioma e do vocabulário, para não se repetir nem errar. Pedro Luís foi perfeito: gritava gol antes do último chute. Edson Leite, emocionante, porque transmitia o que só ele via. Fiori Gigliotti perguntou ao volante o que era aquela agitação no gramado e o repórter, em respeito ao saudoso narrador, foi cândido na resposta: “Foi gol da Portuguesa, Fiori…”

O querido Mário Melillo, da nossa Rádio Cultura, não enxergava bem à noite; quando se perdia, apelava para o então repórter volante Fausto Silva: “Onde está a bola Fausto!?”. Um dia, Mário chamou Fausto: “O que há com o Clayton, Fausto?” E o dono dos domingos soltou: “Já está bem, inclusive massageando seu membro em pé”.

Mesmo assim, é nas narrações esportivas que acontecem os maiores escorregões. Mas antes de rir deles, veja se você faria melhor. Dia desses, na Rádio Globo, começa a tocar “Alguém na multidão”. Um locutor pergunta se o conjunto era “The Fevers” e o outro arriscou “Golden Cross” – eram os Golden Boys. Em Marília, dois apresentadores discutiam a autoria de Aquarela do Brasil: “É do Glen Miller”, dizia um; “é Ray Conniff”, insistia o outro. A polícia não prendeu nenhum dos dois.

Entra o comentarista do jogo Brasil X Chile e diz que, embora em 6º lugar na Eliminatórias, a Seleção precisaria de apenas duas vitórias para voltar à liderança — “mas para alcançar essas duas vitórias precisa vencer os dois próximos jogos”.

Falam que o Galvão Bueno disse que “depois da vitória, o melhor resultado é o empate.”. Sei não, mas numa dessas manhãs de Fórmula Um, em plena corrida, o Reginaldo Leme perguntou:

— O Rubinho Barrichello já passou por aí?

— Quando? Hoje!?

Pregado no poste: Pregado o poste: “Quem chega primeiro: o trem-bala ou o Guarani à série B do Paulistão?”

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