Portinari, só para nós e para ele

Além daquele espetacular “Globo Repórter”, feito pela nossa EPTV sobre as vidas maravilhosas vividas em nossas águas, a estação do doutor Roberto está devendo ao Brasil um compacto, que seja, sobre a vida e a obra do Cândido Portinari, da mesma turma sensível da Mara Rúbia. Todos têm o direito (e o dever, sim) de conhecer aquela obra de arte que saiu das telas de seo Candinho, para ganhar as telinhas da Nação. Ou será que o doutor Roberto decidiu (ele decide o destino de todos) que só os povos da região coberta pela EPTV têm o privilégio de ver a importância para a humanidade de nosso maior pintor? (E da humanidade).

“Coisas do Ibope”, alegaram na Vênus Platinada, quando fui saber os motivos de tamanha insensibilidade. Sabe qual o argumento deles, lá no Jardim Botânico? “Arte não dá audiência, o povão quer, mesmo, é bicho, doença e criança superdotada”. “Pior cego é o que vê TV”, define o Milor Fernandes. “Pior cego é o que faz TV!”, rebateu minha avó, lá em cima, de braços dados com Portinari.

Doutor Roberto decide por nós. Quando ele quer, engenheiro químico diz que álcool anidro tem água e não lhe cassam o diploma; suco de laranja engorda mais do que refrigerante – e ai do médico que denunciar tamanha estupidez; a Copa Mundial Interclubes não existe; ninguém quer saber de eleições diretas; o Collor ganha do Lula; os… deixa pra lá.

Mas o doutor Roberto sabe o que é bom e, apesar de beneficiar só a nossa região com a reportagem sobre o Portinari e escondê-la do Brasil, ele é egoísta. O soldado Squarizzi, guardião da obra sacra do artista lá na catedral de Batatais, me contou: “O dono da dona Globo mandou uma equipe de filmagem pra cá. Veio uma turma grande lá do Rio de Janeiro. Passaram vários dias aqui, filmando tudo, com o maior capricho para o patrão. Eles me disseram que o seo Roberto fica horas diante de um telão, encantado com os quadros do seo Candinho…” Enquanto isso, na telinha dele, o Brasil tem de engolir violência, sexo e mentiras — ao vivo e em videotape.

Pregado no poste: “Plim, plim… caixa!”

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