Por trás

Sempre desconfiei de que havia alguma coisa por trás disso, mas por trás mesmo. Só alguém terrivelmente atormentado poderia perpetrar obra tão ingênua. Está no sítio piauiense “cabecadecuia.com/noticias” um artigo curioso, sintomaticamente patrocinado por uma clínica de cirurgia plástica denominada “Master Health”, de São Paulo, e pela Ouvidoria Geral do Estado. O autor não assina, mas tudo o que ele transcreve tem sua lógica e é bem fundamentado. Todo mundo sabe que Carlito Marx trazia uma histórica coleção de furúnculos no devido lugar, tão devido que ele sofria para se sentar. Já imaginou escrever sob o martírio da dor de furúnculos? Coitado! Mas está lá, pra quem quiser ver (o texto, não os furúnculos, sob o Carlito):

“Problema dermatológico de Marx pode ter influenciado seus textos. Karl Marx, que reclamava do surgimento constante de furúnculos doloridos, sofria de uma doença crônica de pele cujos efeitos psicológicos conhecidos podem ter influenciado os textos dele, afirma o especialista britânico da área Sam Shuster. Esse professor de dermatologia na Universidade de East Anglia acredita que o pensador revolucionário sofria de hidradenite supurativa (HS), mal em que as glândulas sudoríparas apócrinas — encontradas principalmente nas axilas e na virilha — ficam bloqueadas e inflamam-se.

‘Além de reduzir sua habilidade para o trabalho, o que contribuiu para seu deprimente estado de pobreza, a hidradenitis reduziu em grande medida a auto-estima dele’, afirma Shuster, que publicou sua pesquisa na ‘British Journal of Dermatology.

‘Isso explica a autodepreciação de Marx e o alheamento dele, uma resposta que se refletiu no conceito de alienação desenvolvido por ele em seus textos.’. Apesar de estar ligada ao aparecimento de caroços semelhantes a furúnculos, a HS também provoca muita dor, causa infecção disseminada, inchaços, cicatrizes e endurecimento da pele (portanto, Carlito não era um bunda- mole.).

A doença explica ainda outras reclamações de Marx: dores nas juntas e nos olhos que, com frequência, impediam-no de trabalhar.

Shuster baseou seu diagnóstico em uma análise do grande número de cartas de Marx, nas quais descreveu para amigos seu estado de saúde e chamou as lesões cutâneas de ‘vira-latas e ‘porcos’.

‘A burguesia se lembrará das minhas pústulas até o dia da morte dela’, escreveu Marx a Friedrich Engels em carta de 1867. Ele morreu em 1883, foi um dos filósofos mais influentes do século 19 e seus textos serviram de base para o comunismo.”.

Pregado no poste: “Então, comunismo é carnegão?”

 

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