‘Por qué no te callas?’

(Antes da nossa conversa, uma dúvida: assassino confessar o crime ao padre não é o mesmo que contá-lo ao advogado? Por que só os dois podem saber e a sociedade, não?)

Faz tempo que seguidores de certas seitas caça-níqueis exageram na dose e usam seus “templos” para infernizar a vida dos vizinhos. Julgam-se donos dos deuses e do direito de deflorar a castidade da paz pública. Se não me engano, em São Paulo, a egrégia está ameaçada a ampliar o limite dos decibéis da zorra que fazem em nome do senhor, jamais do Senhor. Chegarão a um volume tal, que o senhor fugirá e o demônio voltará, certo de que o inferninho é ali.

Mas há saídas alegres, bem-humoradas ou gaiatas para retribuir a falta de respeito público com excesso de animação. Lá dentro, enquanto exortam seus diabos, certos de que os deuses são surdos, vizinhos podem montar quatro potentes caixas de som e homenagear, por exemplo, os “Mamonas Assassinas”.

Que tal?

— Aleluia!

— Me passaram a mão no bumbum e ainda não bebi ninguém!

Ou Tia Dercy…

— Amém, pessoal?

— A perereca da vizinha tá presa na gaiola; xô perereca.

(Quando gritam xô, é para a perereca mesmo e não para o barulho, com todo o respeito.)

Chico Anysio…

— Hoje, vamos pedir mais cedo: passem a sacolinha!

— Põe devagar, põe devagarinho…

João Canabrava, por que não?

— Agora, vamos colocar o copo dentro do rádio!

— Vai descendo na boquinha da garrafa; é na boca da garrafa…

Até o ‘Asa de Águia’:

— Sai capeta! Sai capeta!

— Na casa do senhor não existe satanás… Xô satanás! Xô satanás!

Ainda bem que os brasileiros são brincalhões e para tudo existe a galhofa. Se não, veja o que aconteceu no País de Gales, nesta semana:

“Karl Wiosna, ‘fã-nático’ por rock, recebeu ordem judicial para destruir toda sua coleção de discos e seu aparelho de som. Os vizinhos deram queixa na polícia e um deles afirmou ao jornal ‘The Sun’ que o barulho parecia o de ‘uma festa de drag queens’”

Lá, pegaram pesado. Aqui, drag queen, ainda não, né?

Pregado no poste: “Silêncio. Levar a vida a sério dá em guerra, gente!”

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