Pobres e pobres

A nutricionista Maria Alexandrina Alves (muito prazer) está distribuindo a seguinte estória, com o título de “Ensinamento”.  Pense nela (na história):

Um dia, o pai, muito rico, levou o filho de seis anos a um lugarejo para mostrar ao menino como pessoas tão pobres podem viver em um mundo onde só ricos e  poderosos têm vez e voz.

Passaram dois dias e duas noites no sítio de uma família muito pobre. Quando retornaram da viagem, o pai perguntou ao filho:

— E aí, como foi a  viagem para você?

— Muito boa.

— Você viu, como as pessoas pobres podem ser?

— Não  sei como é que existe gente assim no mundo…

— Sim pai.

— E o que você aprendeu, com tudo o que viu nesses dias, naquele lugar tão paupérrimo?

— Vi que nós temos só um cachorro em casa, e eles, quatro. Temos uma piscina que alcança o meio do jardim; eles, um riacho que não tem fim. Temos uma varanda coberta e iluminada com florescentes e eles têm as estrelas e a lua no céu. Nosso quintal vai até o portão de entrada e eles têm uma floresta inteira. Temos alguns canários que ainda vivem presos em uma gaiola e eles têm todas as aves que a natureza pode oferecer-lhes — soltas! Nossa comida é toda industrializada e, na maioria das vezes, congelada. A deles é pescada no riacho, colhida na horta ou que pegam no terreiro; enfim, a alimentação deles é saudável, enquanto a nossa… Também observei que eles rezam antes de qualquer refeição, e nós aqui em casa sentamos à mesa falando de etiquetas, negócios, cotação do dólar, eventos sociais; comemos, empurramos o prato e pronto! No quarto onde dormi com o Tonho, passei vergonha, pois não sabia sequer orar, enquanto ele se ajoelhou e orou agradecendo a Deus, tudo, inclusive a nossa visita na casa deles; e nós, aqui em casa, vamos para o quarto, deitamos, assistimos televisão e dormimos. Outra coisa, dormi na rede do Tonho, enquanto ele dormiu no chão, pois não havia uma rede para cada um de nós – aqui em casa, colocamos a Maristela, nossa empregada,  para dormir naquele quarto onde guardamos entulhos, coitada, sem nenhum  conforto, ao passo, que temos camas macias e cheirosas sobrando. Mas fazer o quê, se elas são só para aqueles hóspedes chatos e gananciosos que  sempre vem nos visitar!

Conforme o garoto falava, o pai ficava estupefato, sem graça, envergonhado. E o filho na sua ingenuidade e no seu desabafo, encerrou a conversa:

— Obrigado, por me mostrar quão “pobres e mesquinhos” nós somos!

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