Pior!

E por falar em olho, atesto que sou testemunha ocular dessa história, A anestesia é pior do a que a que se toma no olho — aquele olho pelo qual nós enxergamos todas as coisas. E dessa dor também sou testemunha. Na remoção das cataratas, além do colírio anestésico, tentaram até me hipnotizar – conseguiram. A que se dá no dente é brincadeira. Portanto, meus amigos, eu garanto: os médicos, principalmente os heróicos urologistas, não brincam quando recomendam o exame de próstata.

Claro que não é bom. Trata-se do último toque da medicina. Os outros diagnósticos podem ser obtidos por exames laboratoriais, ressonância magnética, tomografia computa (sem dor), raios x, y ou z. Até o toque ginecológico foi banido, dizem, graças aos protestos das esposas de ginecologistas, cansadas de ver os maridos levarem trabalho para casa: “É adultério!”, reclamavam elas. “Não é, não…”, ironizava o Ricardão.

Como não sou médico, não me atrevo a repetir qualquer recomendação dos sites a respeito do assunto. Também não aconselho ninguém a fazer isso. Nem confie naquela história de que um sintoma infalível é ter de se levantar várias vezes à noite para fazer xixi. Ano passado, essa doença matou mais de dez mil brasileiros, quase todos porque foram deixando pra depois. O melhor remédio – preventivo ou curativo – é ir ao doutor. Não existe outro.

A fama desta nossa cidade corre o mundo. Minha primeira experiência foi em Campo Grande. Diante do estado apoplético em que me encontrava, o médico, tentando me acalmar, recorreu à primeira gracinha que lhe veio à cabeça:

— Estranho. Outros pacientes de Campinas não reagem dessa forma…

— Sua mãe vai bem, né?

Mas depois do último exame “de rotina”, que já se repetia de seis em seis meses, a secretária do médico me assustou.

— Venha segunda-feira coletar material para biópsia. Antes passe por aqui, para pegar a receita de um antibiótico e tomar de acordo com a recomendação do doutor.

— Sério!!!???

— Mas isso é normal. Afinal, o senhor não tem mais vinte aninhos…

— Vinte!? Sempre tive só um!

— Como?

— Esqueça.

Foi nesse exame que conheci a verdadeira ‘profundidade’ da expressão “tirar da seringa”. Ou “tirar da reta”. Ou seria “tirar o reto”! A agulhada anestésica é psicológica. Doi! As outras doze são acompanhadas de ‘tiros’ que lhe arrancam pedacinhos da glândula. Quatro dias depois, o doutor ligou: “Vou lhe dar uma boa notícia…”

Pregado no poste: “Pior do que o toque retal é a coleta do material”

 

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