Pioneiras

Foi mais ou menos assim:

“Muito boa noite ouvintes esportistas de Campinas, de São Paulo e de todo o Brasil. As rádios Publicidade e Cultura, Brasil e Educadora PR C-9, de Campinas, falam diretamente do Estádio “Moysés Lucarelli”, para a transmissão conjunta de um evento inédito na história do futebol do Brasil: um dérbi feminino, que traz grande platéia ao Majestoso, decidida a colaborar com os meninos do Instituto Dom Nery, nesta promoção da Associação dos Cronistas Esportivos de Campinas, a ACEC. Em nome dos meus colegas, Mário Pontes Melillo, da Rádio Cultura, Sérgio Salvucci, da Rádio Brasil, é Lombardi Neto, da Educadora, quem os saúda e convida para mais esta festa do esporte campineiro.”

Há exatamente meio século, nosso “Correio Popular” de 1º de novembro de 1959 anunciava para a cidade e região esse espetáculo marcado para a noite do dia 6. Meninas e meninos, eu vi! O campo da Ponte ainda não tinha torres de iluminação: holofotes em fila sobre a cobertura das sociais e vitalícias, à esquerda e à direita do busto do seo Moysés, que olhava para fora do estádio, clareavam o gramado. Naquele dia, chamando para o acontecimento, o “Correio” falava num show artístico com vinte palhaços dos canais 3 (Tupi), 5 (Paulista) e 7 (Record): Fuzarca, Torresmo, Arrelia, Pimentinha, Henrique, Piolim e Chicharrão. Houve exibição de cães pastores alemães dos associados do Campinas Kennel Clube mais o desfile dos meninos do Dom Nery e da banda do 8º BC (guarnição da Força Pública, com quartel na Vila Industrial).

Iniciativa pioneira das senhoras Lina Penteado e Nair da Cunha. A arrecadação para o instituto, 233.705 cruzeiros, deu e sobrou para o Dom Nery construir um parque infantil para as crianças que abrigava.

A Ponte ganhou por 3 X 1 o jogo de dois tempos de 25 minutos cada (note que naquele tempo, a Ponte ainda ganhava do Guarani). O primeiro tempo terminou 1 x 1.

Ponte Preta: Lurdinha; Geny, Carmen Silva e Maria Cecília; Marilene e Zeide. Mafalda, Georgina, Isabel , Teresa e Angélica.

Guarani: Adelaide; Marilisa, Meire e Marisa; Rosemeire e Rosa. Ana Maria, Elza Maria, Alda, Abigail e Marilda.

Georgina fez dois gols e perdeu um pênalti; Teresa completou para a Ponte. Elza fez o do Bugre.

Extático diante das belezas, o repórter do “Correio” se esqueceu de dar o nome do juiz (nem eu me lembro).

Agradeço à Vânia e à Natália, do nosso arquivo, que garimparam esta cinquentenária preciosidade para nós.

Pregado no poste: “Esta crônica é para o querido Zé Duarte, maior incentivador do futebol feminino do Brasil”

 

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