Pele de quem?

Você já viu a “cor de burro quando foge”? Já lhe perguntaram qual é a “cor do cavalo branco de Napoleão”? Você sabia que o castelo d’água, lá no alto do Chapadão, era cor de terra, vermelha como o chão daquele bairro? Ficou branco, porque o prefeito da época, Ruy Novaes, mandou pintá-lo em homenagem ao primeiro ditador militar, que visitou Campinas e teve de ir lá, conhecer a “obra”. Naquele tempo, uma puxada de saco se chamava “homenagem”. Nascia o “branco-castelo”. O marechal deve ter ficado lisonjeado…

Quando outro ditador, Garrastazzu, tomou posse, um puxa-saco de verdade, funcionário da Puccamp, mandou para ele, de presente, uma garrafa azul, toda entalhada, ridícula. E ainda se orgulhava do cartão que recebeu, com o agradecimento do terceiro ditador. Exibia para todo mundo, como um troféu. Mandei-o enfiar o cartão e a garrafa no devido lugar e ele me chamou de “comunista, lacaio de Moscou”…

Falando em cores, ainda não vi vermelho-salsicha nem branco-pipoca definindo a cor dos carros. Eles têm cada uma… Um amigo da Ford me passou algumas denominações criativas, como o cinza-Kilimandjaro, que na verdade é branco, para lembrar a neve que cobre o vulcão. Existem o preto-New York e o preto-New Orleans. Sabe qual a diferença entre eles? Nenhuma. Ainda vão inventar o branco-escuro e o preto-claro, quer apostar? Mas o prata-Cairo é dourado, assim como o vermelho-Córdoba, da General Motors, consegue ser marrom durante o dia e preto à noite. E as invencionices não param: verde-Tirol; azul-Sorbone, Royal e Florença; vermelho-radiante e cabernet; prata-Alasca; verde-Patropi e cinza-Viena. Cinza-ratinho não pode, porque essa é a cor do salão nobre da casa do Didu Morumbi – criação do Estevam Sangirardi, para o insuperável Show de Rádio, da Jovem Pan. Já imaginou um carro verde-nenê ou marrom-coco? (Eu disse “coco” – que é quase igual…).

Agora, o nome das cores vem dando confusão nos Estados Unidos. A fabricante do giz de cera Crayola, que mudou o nome de alguns de seus produtos só três vezes em 114 anos, está sendo forçada a trocar, em nome do “politicamente correto”. Antes, foi por motivos históricos: o Azul da Prússia mudou, porque mais nenhum estudante sabe o que é Prússia, e virou Azul da Meia-Noite. Em 1964, quando a legislação americana apertou o cerco ao racismo, o Crayola “cor da pele” teve de mudar, passou a ser “pêssego”. Tudo porque negros e índios se rebelaram. Os negros exigiram a troca do “cor da pele” e os indígenas, o do giz “Vermelho-Índio”. A empresa fez um concurso público e recebeu mais de 300 mil sugestões. Apareceram idéias como Queimadura de Sol, Macarronada com Almôndegas, Fígado de Morcego, O Giz Antes Conhecido como Vermelho-Índio — e até Vermelho-Semáforo. Escolheram o nada polêmico Castanho.

Aqui, as louváveis entidades de combate ao alcoolismo ainda vão sugerir que seja banido do dicionário o verde-garrafa.

Pregado no poste: “Guarani não ganha nem da Ponte. Ou vice-versa. E a partida acabou em…patada.”

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