Pé no sapo

O ‘Estadão’ tinha um fotógrafo predestinado: cinco prêmios Esso. Tudo de ruim acontecia aonde ele estava, jamais com ele. Em 1957, ajeitou a máquina para fazer o jogo Noroeste X São Paulo, em Bauru, e aquele poleiro pegou fogo bem na hora. Na Vila Belmiro, mesma coisa: mirou na torcida, a arquibancada caiu na pouco antes da partida. Fotografava uma jogada num América X Corinthians, em Rio Preto, no momento exato em que o zagueiro “partiu” a perna do corintiano Mirandinha. O incêndio numa fábrica vizinha a um prédio no Cambuci já estava controlado, quando ele chegou. Uma mulher se atirou lá de cima para tentar se salvar, naquele ponto em que ele calibrava a lente da Olimpus.

Aquele Adhemar de Barros governava São Paulo, ainda no Palácio dos Campos Elíseos, e toda tardinha de sexta-feira descia até a sala de imprensa para saber que jornalistas o acompanhariam no dia seguinte nos costumeiros vôos para ver obras no interior, em um DC-3 da Vasp. Naquela tarde, ele estranhou: ninguém se inscrevera. “O senhor viu quem é o único da lista, governador?”. Adhemar leu o nome do retratista e decidiu: “Também não vou!!!”

Chamavam a Fafá de Belém de pé frio, coitada, quando morreu Tancredo. Logo que o Geisel tomou posse, se sucederam geadas, enchentes, distúrbios nos trens da Central, morte do ministro do Exército Dale Coutinho, morte do marechal Juarez Távora, alta escandalosa do petróleo. O “Pasquim” lascou na capa: “Descoberto o pé frio que ameaça o Brasil”. Censuraram.

Hoje, temos outro personagem sinistro: ele afagou Diego Hipólito na abertura da Olimpíada; depois que ganhou uma raquete do Guga, o tenista nunca mais brilhou; Popó deu um par de luvas de boxe para ele e… Cadê o Popó, pô? Leny Kravitz acaba de conseguir uma boquinha no DVD da Ivete Sangallo, depois de desaparecer desde que deu uma guitarra ao sinistro. Esse poderoso pé ganhou uma camisa 10 autografada pelo time do Corinthians, aquele time inteiro que caiu para a Série B.

Roberto Carlos, o zagueiro, entregou a ele uma camisa autografada pelos jogadores que foram para a Copa. Aquele fiasco, sem contar que o próprio ajeitava a meia na hora em que Thierry Henri fez o gol que eliminou o Brasil. A seleção masculina de vôlei também esteve com ele, antes de perder duas partidas seguidas e o campeonato mundial. O mesmo se deu com o Botafogo carioca, cujo presidente levou ao sinistro uma camisa do time que perdeu para o Figueirense a Copa do Brasil do ano passado, em pleno Maracanã.

Pregado no poste: “Enterraram uma foto dele no Brinco?”

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