Pauta

Mas é muito fácil saber quem é repórter ou moleque de recado. Sugira uma reportagem sobre a mula. Se ele disser que esse assunto é mais estéril do que a própria filha da égua com o jumento, peça para o charlatão assistir à cópia do ‘Globo Rural’ de semana passada. Aplaudi de pé essa aula de jornalismo do nosso herói José Hamilton Ribeiro — “Zé Parmito” para os amigos. Esses “puros sangues” da imprensa estão acabando. Imagine, que ele perdeu uma perna na guerra do Vietnam, mas você precisa vê-lo saltar da cela dos animais. Melhor do que o Zorro, Roy Rogers e John Wayne. Qualquer peão de Barretos é pangaré perto dele. Ao mesmo tempo, o Zé informa, ensina, atrai, estimula… Até insinuou uma história de admiração (pela mula), encenando a letra de uma moda caipira. Grande Zé! Maior do que ele só sua própria humildade – e essa é outra lição.

Mudando de mula pra jegue, não é preciso ser “puro sangue” para mostrar à sociedade uma lição de hipocrisia ou cidadania, de crueldade ou civilidade, que acontece diante de todos os repórteres diariamente. Não me interessa se é trabalho temporário, se a lei não exige. O que existe é a exigência moral. Você acha certo se aproveitarem do desemprego no País para explorar esses trabalhadores quase desqualificados e enganar eleitores? Basta observá-los pelo Laurão, Glicério, largos do Rosário e da Catedral, Norte-Sul…

Nestes tempos de baixaria exposta, faça as seguintes perguntas aos cabos e cabas eleitorais e não se esqueça de escrever os nomes dos candidatos para quem eles trabalham:

  1. Você está registrado em carteira?
  2. O seu ‘patrão’ paga todos os direitos trabalhistas: férias e 13º proporcionais, horas extras, salário família, vales transporte e refeição?
  3. Descanso semanal remunerado? Periculosidade (você está sempre sob o risco de ser atropelado). Dão plano de saúde a você e aos seus dependentes?
  4. Você tem direito a intervalo para o lanche durante a jornada?
  5. É o candidato quem dá o lanche ou dá o dinheiro para você comprar? Quanto? O que você conseguiu comer hoje com o dinheiro que ele lhe deu?
  6. Como são os sanitários que você tem de usar?
  7. Você acha que ele está cometendo uma injustiça ou explorando? Você tem a quem recorrer?
  8. Os candidatos e encarregados dos comitês dos partidos dão presentes ou brindes a você? Já viu alguém no comitê fazer essas “doações”?
  9. Ele prometeu a você ou parente seu algum cargo, se for eleito?
  10. Quando o comitê manda você se deslocar de um lugar a outro da cidade, eles pagam a condução ou levam carro?

Esta semana, em Franca, uma caba eleitoral foi receber o combinado e acabou escorraçada pelo coordenador da campanha de um deles. Mas ela bateu tanto, que o elemento, todo com hematomas, foi parar no IML. “Não reagi, com medo de ser enquadrado na ‘Lei Maria da Penha’.”.

Pregado no poste: “Candidatos a legisladores e a ‘otoridades’ respeitam a lei?

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