‘Pastel’ de quê!?

Não existe lugar mais rico de histórias do que o mundo da bola – e esse mundo é uma bola. Esta quem conta é o insuperável seo Pepe, o “Canhão da Vila”:

— Mais ou menos 1960. Aquela maravilhosa máquina de jogar do Santos embarcava outra vez em Congonhas, para deslumbrar a Europa. Chega seo Athié Jorge Cury, presidente do clube: “Vim despedir-me de vocês, que vão viajar para o outro mundo”. Ele queria dizer “Velho Mundo”. Ninguém dormiu durante a viagem.

Mais uma do querido “espanhol”?

— Janto com o Coutinho num restaurante, em Paris, e ele cada vez mais emburrado. Disse que mandava bilhetes pedindo uma música para o pianista, e nada de o cara atender. Mas que música você pediu, Couto: “O Neguinho gostou da filha da madame…”

Estas são do Carlito Milanês, dirigente do Brugre campeão brasileiro, agora embaixador de Campinas no Arraial d’Ajuda. Como é na Bahia, ele ‘despacha’ no seu confortável Hotel Marambaia. Vale a pena ir. Duro é voltar.

“Uma passagem no mundo da bola. Você sabe imitar aquele sotaque de gringo falando português? Pois bem, naquela época tínhamos seleções paulistas de juvenis (sem essas de hoje, sub 15, sub 17, sub não sei o quê), que disputavam diversos torneios, principalmente sul-americanos. Normalmente, tinham como chefe da delegação o Salim Atala, que com seu portunhol se defendia. Foi então que surgiu um torneio nos Estados Unidos e lá vai seu Salim novamente como chefe da comitiva, embora não falasse nada de inglês.

Depois de uma longa viagem, cansado, encaminhado ao hotel pelo intérprete, nosso chefe foi posto à vontade em seu quarto. Querendo deixar um recado para não ser incomodado, saiu ao corredor e vendo um dos serviçais do hotel, começou a chamá-lo:

— Ô amigo, ô amizade, ô moço?

Como não merecesse nem uma virada de rosto, um dos meninos da delegação (jogador do Guarani) sugeriu:

— Seo Salim, chame-o por míster.

Foi aí que seu Salim lascou:

— Seo míster, seo míster, por favor, ‘nom querer ser incomodado; nom me acordar antes das onze horas.Ttudo bein?

Gargalhada geral da moçada. E seo Salim foi dormir certo de que o gringo tinha entendido tudo. (Quem sabe, é por isso que o Itamarati não ache necessário o inglês para nossos diplomatas.)

Bem, já que ‘tô’ no assunto, vai outra: Mingo, nosso ótimo ponta- esquerda da época, gente fina, foi suspenso. Em seu lugar ia estrear um garoto do juvenil, o Darci. Tendo Mingo como bandidão (no bom sentido) pediu-lhe que arrumasse umas ‘bolinhas’ para lhe dar mais ânimo.

Tomando conhecimento, eu era diretor de futebol junto com o inesquecível Hermógenes Leitão, chegamos à conclusão os três, de que daríamos ao Darci uma pílula de vida do Dr. Ross. Lembra-se? Prisão de ventre? Pílulas de vida do Dr. Ross, ‘pequeninas, mas resolvem…’. Darci arrebentou com o jogo, foi o melhor em campo e até hoje não sabemos se foi mero condicionamento psicológico ou o seu marcador, que não agüentava seus puns.

Há outra desse mesmo Darci. Era início de temporada, e como no nosso time a maioria era de jovens, muitos se apresentaram com a cabeça raspada pois tinham sido aprovados no vestibular.

Darci, para imitá-los, não teve dúvida: raspou a dele também. No jogo, aquele monte de carecas chamou a atenção dos repórteres de campo que
entrevistavam todos perguntando a faculdade em que tinham sido aprovados.

Até que chegou a vez do boa praça Darci:

— E aí, Darci, que maravilha esses time jovem do Guarani, todo mundo
estudando, Nenê fazendo Educação Física; fulano Matemática; beltrano Engenharia… E você, Darci, vai fazer o que?

— Vô fazê advogado.

Ah, sim, uma curtinha para você, que tem medo de avião. Toninho, garoto do juvenil, que pela primeira vez ia voar, queixava-se para Tobias que tinha medo de avião e que sofria de dor de ouvido. Nosso goleirão,
com a experiência de muitos vôos, tranqüilizou o garoto:

— Agora não tem mais problema; todo avião é pasteurizado.

Pregado no poste: “Vicente Matheus foi um sábio!”

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