Papo de rei?

Ele gosta de pescaria e pescador não costuma mentir. Mas certa vez, o rei do futebol contou história nova sobre seu incrível apelido, uma das palavras mais faladas, lembradas, queridas e caras da história: PELÉ. Afinal, sobre ele, o jornal inglês Daily Telegraph deu a manchete definitiva: “Deus tem nome: Pelé”. Nem a rainha.

Na Alemanha, sua majestade disse ao jornal “Bild”, que bateu no colega de escola que colocou nele o apelido mais famoso do mundo. E reforçou: “Fui suspenso por dois dias!”. Será? Ele sempre disse que nunca descobriu quem o apelidou e que gostaria de conhecer o autor da marca que vale mais do que bilhões. Tantos, que nem sei. Em seu livro “Eu sou o Pelé”, de 1964-5, não há menção ao autor da façanha. No filme do mesmo nome e da mesma época, “niente”.

Antes de jogar no Santos, ele torcia para o Vasco da Gama. Naquele livro, ele fala que seu maior ídolo era o avante vascaíno Ipojucan. E num “combinado”, em 1957, jogou três amistosos internacionais no Maracanã, com a camisa do Vasco. Fez cinco gols. Lá está ele nas fotos com os companheiros daquele Santos: Urubatão, Ivan, Álvaro, Jair da Rosa Pinto e Pepe.

Na história do Vasco, há este relato: “O maior ídolo do pequeno Edson, além de seu pai, Dondinho, era o goleiro do time do pai, de nome Bilé. Edson dizia a todos que queria ser como Bilé, quando crescesse, mas, como não pronunciava o nome do goleiro corretamente, saía ‘Pilé’, que rapidamente derivou para ‘Pelé’.”. Mais confiável do que história de pescador…

Há uns vinte anos, a Fepasa tentou ressuscitar o trem de luxo – lembra? Embarquei na Estação da Luz para fazer uma reportagem. Em Bauru, entrou um senhor e sentou-se ao meu lado. Contou: “Sou ferroviário aposentado. Era chefe desta estação… O senhor é repórter? Quando o Pelé viajou para Santos pela primeira vez, com o Waldemar de Brito, fiz vista grossa, porque ele e ‘seo’ Waldemar se esqueceram da autorização do Dondinho para o filho embarcar. Já pensou se eu tivesse impedido aquela viagem? Mas conheço o Pelé desde quando ele batia bola aqui no largo da estação. Sabe, moço, numa noite do ano passado, ele apareceu aqui em casa, sozinho. Eu ainda moro ao lado da estação. Ele queria saber se conhe ço quem pôs esse apelido nele. Fiquei de ver, mas não me lembro.”.

E este fato ‘se deu-se no Chile’, em 1962. O monumental Santos Futebol Clube estava hospedado no mesmo hotel em que ficava a Brigitte Bardot, em Santiago, Disputa de um torneio octogonal, com os melhores times da América e da Europa. Bandidos invadiram o hotel e a polícia reforçou a segurança. Fugiram. Os tiras estavam certos de que o alvo — La Bardot — ficou segura. Por via das dúvidas, o delegado obrigou o Pelé a usar bigode, para disfarçar. Dias depois, chega seo Athié Jorge Cury, presidente do Santos. Para espanto de todos, soube no aeroporto que os bandidos queriam o Pelé! “Eles confessaram para a polícia de Mendoza, onde foram presos.” No hotel, seo Athié estrilou com o rei: “Pelé, tire esse bigode. Não adianta disfarçar ; nem de burca você consegue passar por outra pessoa. O mundo inteiro conhece você com a cabeça coberta, careca, de óculos escuros, pelo jeito de andar, de pisar, com a camisa do Corinthians, até pintado de branco…”.

Pregado no poste: “Quem é rei nunca perde a majestade”

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