Papai Noel está?

O celular levou 100 anos para chegar a São Paulo, onde o padre gaúcho Roberto Landell tentou consolidar seus inventos: o rádio e o princípio da telefonia celular. Tudo patenteado em Nova York, porque aqui, os gênios, que já infestavam o Poder Público naquele tempo, diziam que ele tinha parte com o diabo – incluindo o presidente Rodrigues Alves. Era muita competência para pouca inteligência – ou já queriam propina do padre?

Por causa dele, Campinas passou uma das poucas vergonhas de sua história: em 1893, Landell dizia missas na Basílica do Carmo. Foi considerado feiticeiro — invadiram a casa paroquial e destruíram protótipos e laboratórios onde estavam os inventos prontos e demonstrados.

Assim começou a história do celular no Brasil e em Campinas, uma das primeiras cidades do mundo a ter serviço telefônico, ainda no século 19. (Portanto, a cidade se redimiu logo.)

E desde 1993, a engenhoca está na lista dos mais vendidos presentes de Natal das grandes cidades. Quando ainda era coqueluche e andavam com aquele tijolo na cintura para se exibir, 93% das vítimas usavam diariamente – portanto, mais do que papel higiênico. Já pensou se os fanáticos se enganam? Hoje há 118 milhões dessas jabiracas funcionando no Brasil.

Servem pra tudo: dá hora certa; vende droga; explode; solta bandido; pega fogo; invade terra; tem caixa postal; avisa quem ligou; entrega quem está ligando; pega rádio FM; tira foto; ronca; recebe e manda mensagem escrita; se liga na internet; filma; joga; grava e compõe música; arrota; toca música; passa filme; acorda… É agenda, cronômetro, higrômetro, termômetro, conversor de moeda, lanterna. Mais: você liga para sua mulher, ela está num motel e o Ricardão atende. Aí, ele se chama “cornômetro”

Quando toca, imita pum, edição extra da Globo, grito de criança rebelde, adolescente adolescendo, mulher histérica, xingamento, hino do Corinthians.

Sua próxima façanha é acabar com o orelhão; depois, o telefone fixo.

A última novidade: se você é católico procurando por um santo para protegê-lo, não precisa mais carregar um “santinho”; já pode colocar a imagem dele no aparelho. O Vaticano já chiou. Diz que é uso comercial da imagem do santo. (E a venda de santinho é o quê, Santidade?) O celular é a onipresença do homem (Ainda usarão essa frase como slogan, quer apostar?)

Pregado no poste: “Mortoboy – o celular estourou!”

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