Papai – Mamãe

(“Trívio” é o lugar onde se cruzam três ruas; mas o Aurélio diz que também é “os três ambulacros superiores das holotúrias”. Sacou?)

Se você veio aqui atrás de sexo escrito, pode tirar o cavalo, digo, a rena da chuva — ou da neve. Nem pai de família muito menos Papai Noel. A mãe passa a perna no pai (epa!) e, finalmente, senta-se no trenó, digo, no trono do comércio e da casa. Estima-se que a estimada rainha do lar torne-se também a rainha dos consumistas a partir deste ano. Não há presentes suficientes em dezembro para superar o mês de maio na movimentação do varejo. Mês das mães, mês das noivas, mês de Maria e mês do marido – pagar as contas, coitado. E a função do pai é cada vez mais só essa: trabalhar e pagar.

Até o ano passado, Noel era imbatível. Depois dele, vinham a mãe e o pai. Mas o chefe da família decaiu, decaiu… Foi destituído do cargo e já está na zona de rebaixamento. Acredita-se que em 2008, caia para o humilhante sexto lugar, superado pelo coelho da Páscoa.  Imagine que o mês de setembro já vende mais do que o de agosto, com Dia dos Pais e tudo. E celebrar o quê em setembro? A pátria? Essa só ganha banana de presente de seus governantes. Por isso, todos os políticos corruptos do mundo são brasileiros – até prova em contrário. Desafie algum deles a celebrar o Dia Nacional da Consciência Limpa.

No meio da tabela, continuam o Dia das Crianças, em terceiro posto, e o dos Namorados. Os pais, como se vê, vão para os quintos e a Páscoa, por enquanto, pinta em sexto.

Repito o que já conversamos aqui tem uns anos:

A família está se desmontando. O jovem não vê mais o pai como referência nem se identifica com ele; o “velho” que saiu de casa ou é apenas um presente ausente foi trocado por Ronaldinho ou pelo traficante do bairro. O primeiro é o sonho, o segundo, o sustento – basta ajudar no “negócio”.

Economia é tecnologia na produção e psicologia no consumo. A tecnologia está acabando com o emprego e o fim do emprego é o começo da criminalidade. O jovem quer mais e mais, o pai pode menos e menos – consome-se mais por ansiedade do que por necessidade.

O fenômeno, então, é sociológico, segundo os mais intelectualizados, que não gostam de ver a mãe no centro da história. Vejam que em sétimo já está o Dia da Amante, celebrado justamente a 22 de setembro e, sintomaticamente, fazendo deste um mês mais vendido do que o dos pais – ou será coincidência? Na mosca: o pai deixa a família atrás da amante e dança na preferência dos filhos. Acertei?

Pregado no poste: “Político dá presente ou ausente para o pai?”

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