Palmas para o público!

Quem sabe, sabe. E merece aplausos. Quando nos extasiamos com o Primeiro Mundo, não é com os falsos brilhos de Hollywood ou com a ostentação inútil da riqueza material deles — mas é com a discreta, natural e rotineira exibição de conhecimento. Dia desses, brinquei aqui com a nulidade da televisão do Brasil, mas há momentos em que ela mostra – só rapidamente – lições humilhantes, para nós, da arte de um povo ser superdesenvolvido. Obra de uma repórter sensível, a Sônia Bridi, que percebeu aquele momento mágico e nos passou. Com leveza, para não ser chocante demais…

Já soube de história brasileira semelhante e me foi contada por um dos protagonistas, o incrível Paulo Duarte, jornalista, sociólogo, antropólogo, escritor, enólogo, um dos criadores do “Museu do Homem”, do Louvre, com Paul Rivet. Paulo é um dos brasileiros mais exilados da história. Ele e Mário de Andrade, já naquele tempo, preocupavam-se com a preservação do patrimônio cultural de São Paulo. E descobriram um grupo folclórico quase extinto na periferia paulistana. Ele me contou essa passagem, quando entrei em sua casa acompanhado de uma repórter, que levei para entrevistá-lo. Ela ligou um gravador e ele bronqueou: “Você é pixote, menina! Onde já se viu repórter de jornal com gravador?!” E arrematou a historinha: “Mário e eu fomos fazer a reportagem, para o Estadão, sobre aquele grupo. Eu escrevia a letra das canções e o Mário, a partitura, só de ouvi-los…”

Semana passada, a Orquestra Sinfônica de São Paulo tocou em Nuremberg, na Alemanha, regida pelo espetacular artista Roberto Minczuc, que depois de ganhar o Prêmio Eldorado de Música, ressuscitou a Orquestra Sinfônica de Ribeirão Preto e tornou-se, apenas, diretor artístico adjunto e regente associado da Orquestra Filarmônica de Nova York. Um dia, disse que ele é a reencarnação de Carlos Gomes e ele falou que só falta ser campineiro…

Roberto regeu a Primeira Sinfonia de Brahms, o continuador de Beethoven, para os alemães! Aplaudiram por dez minutos e pediram mais! Manchete de um jornal de Nuremberg: “Brahms foi testemunha”. Mas o que a repórter Sônia Bridi mostrou durante a apresentação, com aquela discrição só dela, foi a participação da platéia. O povo, que lotou o teatro de Nurembrg, acompanhava a apresentação da orquestra pela… partitura!

Pregado no poste: “É! Mas eles perderam a Copa do Mundo pra nóis!”

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