Os (pre)conceitos do presidente

Ele só não é mais patrulhado do que o Maluf. Quando falaram da filha, disseram também que ele queria que a mãe a abortasse. Duvido. A mãe ainda disse que ele é racista. Duvido. Depois, de viva voz, para todo o Brasil, falou que Pelotas é uma cidade “que tem muito veado”. Não há como duvidar (dele). Mas nunca falou isso de Campinas. E se falou, duvido (dela). O New York Times até o chamou de manguaça. Você duvida? Do jornal ou do Lula? Falou, na África, que uma cidade africana é tão limpa que nem parece cidade africana. Eu diria que Campinas está tão feia que nem se parece com a ex-prefeita que o partido dele enfiou na gente. É pior.

Agora, deu nos jornais, ele mandou um recado pelo seu ministro Palocci para que o ex-prefeito de Ribeirão Preto, Gilberto Maggioni, prestes a assessorar o ministro Furlan, deve tirar o cavanhaque ou deixar crescer a barba. O próprio Maggioni, que cofiou cavanhaque por anos a fio, já deixou a barba. Justificativa do Lula, dita pelo ex na redação do jornal “A Cidade”, aqui de Ribeirão Preto: “Segundo o presidente, cavanhaque não passa credibilidade”. A ordem também foi para o ministro da Saúde, o campineiro Humberto Costa.

Sei não, mas pra mim isso é coisa de marqueteiro. Na campanha para a prefeitura do Rio de Janeiro, o Duda, aquele dos galos, mandou o candidato do PT Jorge Bittar tirar o cavanhaque. O Jorge disse que o cavanhaque é sua marca. E não tirou. Também pode ser coisa de baiano ou de gaúcho: o Shopping Barra, de Salvador, exigiu cara limpa de seus funcionários, assim como a prefeitura de Porto Alegre queria ver seus guardas municipais. Ganhou o cavanhaque.

Diz o excelente “Guia dos Curiosos” que Napoleão Bonaparte é o precursor da barbicha na ponta do queixo. “Este estilo de barba, porém, foi batizado em homenagem a Louis-Eugéne Cavaignac, um dos generais do imperador francês. No entanto, Louis jamais usou a tal barbicha. Curiosamente, a palavra cavanhaque é usada apenas no Brasil. Na França, a barba no queixo se chama bouc, que quer dizer bode. Alguns estudiosos acreditam que os brasileiros incorporaram a palavra cavanhaque ao vocabulário por uma confusão histórica.”.

Também deu nos jornais que os oficiais argentinos de todos os escalões estão autorizados a usar barba, visual proibido até o fim do governo Menen na instituição, por ser considerado “inadequado à função”. O ex-comandante da Marinha, almirante Joaquín Stella, foi o primeiro a aderir à moda. Ele apareceu de barba ao lado do ex-presidente Fernando De la Rúa, durante um ato público. A única imposição é de que a barba seja completa. Mas o cavanhaque permanece proibido!

Washington Luís foi o último presidente do Brasil a usar cavanhaque. Caiu no golpe de 30, com cavanhaque e tudo. Na época, autores de modinhas e caricaturistas cariocas adoravam a barbicha do Washington, para ridicularizar sua pessoa e… seu governo.

Creio que por causa do cavanhaque – e nada mais – é que Lula expulsou Heloísa Helena, a filha do genro e o Baba do PT. Eram todos egressos da convergência socialista, aquela turminha da Libelu, todos trotsquistas. E Trotski usava cavanhaque, assim como Lênin. É… Pesando bem, o Lula tem razão: cavanhaque não passa credibilidade.

Pregado no poste: “O Aerolula mostra que o Brasil parece um país podre de rico ou só um país podre.”

23/01/2005

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