Os herdeiros

Emocionante ver juntos de novo, mais de trinta anos depois, dois gigantes da pesquisa agrícola mundial inaugurando o Centro de Estudo de Café, na fazenda Santa Elisa, do Instituto Agronômico de Campinas. Lá estavam eles, abrindo as portas da unidade que vai aprofundar a atenção que se deve dar ao produto que sensibilizou d. Pedro II a fundar o instituto e que (ainda) ajuda a sustentar o Brasil.

Lá estão na fotografia do Nerivelton Araújo, o Luís Carlos, que um dia, sem querer, chamei de ‘Alcides Fazuolli’, e o Lourival, que também chamei de ‘Leonardo Mônaco’. Falhas deste “foca”, que os conheceu ainda abençoados pela batuta do mestre Alcides Carvalho, que dá nome a esse novo centro de pesquisas. Escrevi “Alcides” em vez de Luís Carlos, porque mestre Alcides apontou aquele jovenzinho que examinava galhos de uma cafeeiro lá fora e disse: “O governo paga tão mal a gente… Não sei quem vai me substituir; mas aquele rapaz leva jeito.”. Impressionou-me tanto a preocupação do “pai do café”, que troquei o nome do novo cientista pelo do mestre. “O Lourival também, mas ele está indo embora; vai para essa empresa nova, a Embrapa.”. E escrevi “Leonardo”, porque no mesmo dia, tinha entrevistado o Leonardo Mônaco, diretor do Corinthians, que estava interessado em comprar o goleiro Tobias, do Guarani. Sei que eles já me perdoaram.

Agora, o Luís Carlos é o chefe desse núcleo, e o Lourival, secretário da Agricultura.

Quem não consegue passar sem uma ‘xicrinha’ de café deve lembrar-se a cada gole desses três abnegados – homens raros, de competência, dignidade e dedicação à terra do Brasil, como sempre foram os que passaram pela casa do doutor Alcides, este já levando Deus a conhecer os cafezais que cultiva nos campos do Senhor, lá no Céu. Desde que ele se foi, lá em cima, todo dia é “Dia de Campo”.

Mais de trinta anos depois, imagino doutor Alcides preocupado, comentando com Deus: “Naquele tempo, ainda consegui um substituto. E agora? Quem leva jeito? Continua tudo igual, Senhor. Veja o salário que o governo paga para o pessoal que trabalha ali. O IAC continua sem recursos, está difícil trabalhar ali. Meu único consolo é que o Senhor nunca trouxe para cá os culpados por essa crueldade…”.

Pregado no poste: “Dilema de político é ter cara ou cara ter”

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