Os capitais

Quais os pecados capitais?

Ira, gula, inveja, júpiter, saturno, urano, netuno e plutão. Não? Já sei: ira, gula, inveja, valete, dama e rei… Também não? Ira, gula, inveja, cabeça, tronco e membros ou calça, colete e paletó…. Então, ira, gula, inveja, zóio, zoreia e zunha? Nem uma carola, daquelas que não saem da igreja, soube responder de pronto. Teve de consultar um catecismo. Demorou, mas achou. Se fosse atrás de um daqueles “catecismos” do Carlos Zéfiro — lembra? –, os sete pecados estariam ali, em cada história. Mas nem o Carlos Zéfiro existe mais.

Adolescência sem graça essa de hoje. A Internet mostra tudo. Nem precisa passar pela ansiedade de esconder debaixo do colchão, ler só no banheiro, sair com ele todo amassado por dentro da camisa… Ou morrer de vergonha quando a faxineira encontrava um no seu quarto e mostrava para a sua mãe. Isso, quando ela não esperava você chegar, para devolver com aquele risinho maroto… (E assim, para muita gente, depois desse flagra, aconteceu a primeira vez.). Você está rindo? Então disfarça, que sua mulher chegou.

Talvez os pecados “capitais” não existam mais – viajaram todos para o “interior”, onde ainda resistem entre algumas famílias tradicionais. Até os pecados estão desmoralizados. Como não sentir ira diante da conduta dos políticos? Como convencer a uma criança favelada de que a gula é pecado? Ou explicar para essa mesma criança, que sonha com um tênis de grife, que a inveja também leva para o inferno?

Luxúria é pecado? E o que exibem sem parar as novelas do homem do baú, do plim-plim e da tela crente? Avareza também é pecado, mas a quantas anda a taxa de juros nos bancos, mesmo? Se a preguiça é pecado capital, Brasília é a capital desse pecado. Sobrou a soberba, que se comete em toda a parte, sempre contra os menos favorecidos, nas filas dos doentes do SUS, dos aposentados, dos desempregados, dos deficientes, dos famintos, dos idosos, dos endividados… dos brasileiros.

Pregado no poste: “Tempos modernos: honestidade é pecado?”

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