Ordinário, fume!

No Brasil, os jogos de azar são proibidos, porque segundo os luminares legisladores, a vitória não depende da habilidade dos jogadores. Também são  compulsivos, viciam, destroem os lares e a integridade do homem (e da mulher). Muito bem. Tudo muito bonito. Os jogos de azar são proibidos, mas o maior banqueiro de jogos de azar no Brasil é o governo.

Só ele banca nove. Quer ver? Loteca, lotogol, lotomania, lotofácil, loterial federal, quina, mega-sena, dupla sena e loterais estaduais. Oficialmente, ainda tolera as raspadinhas, os bingos, corridas de cavalo e jogo-de-bicho. Aí, o povo pergunta: “E o dinheiro? Cadê o dinheiro?” Ninguém responde. O governo quis acabar com o bingo e quase acabaram com o governo. Aí, o povo pergunta: “E o governo? Cadê o governo?” O governo cria mais um “imposto dos imbecis”, a loteria da fome. Não soube tocar o fome zero, inventa loteria.

Agora, durma com o barulho dessa fanfarra alegórica que hoje desfila por aí. O governo gasta o nosso dinheiro em louváveis campanhas contra o fumo e faz propoganda de cigrarro até na casa do Lula. É obrigatório exibir o brasão de armas do Brasil no Palácio do Planalto e na residência do presidente da República; na sede dos Ministérios; nas Casas do Congresso Nacional; no Supremo Tribunal Federal; nos Tribunais Superiores e nos Tribunais Federais de Recursos; na sede dos poderes Executivo, Legislativo e Judiciário dos Estados, Territórios e Distrito Federal; nas Prefeituras e Câmaras Municipais, na frontaria dos edifícios das repartições públicas federais; nos quartéis das forças federais de terra, mar e ar e das Polícias Militares e Corpos de Bombeiros Militares, nos seus armamentos e nas fortalezas e nos navios de guerra; na frontaria, ou no salão principal das escolas públicas; nos papéis de expediente, nos convites e nas publicações oficiais de nível federal.

Se você olhar bem para o brasão de armas do Brasil, está lá, como descrito na lei que o instituiu: “…uma estrela de prata figurará sobre uma coroa formada de um ramo de café frutificado, à destra, e outro de fumo florido, à sinistra…” A bandeira do Império trazia um ramo de cana e outro de café. Café, que não era nada na nossa economia de 1822. Mas por obra e graça do José Bonifácio, entrou ali como prenúncio de que sustentaria o Brasil até bem pouco tempo atrás, por obra e graça do mestre Alcides Carvalho e sua gente, aí do nosso Instituto Agronômico. Não sei se a cana saiu por causa da cachaça ou se o fumo entrou porque era hora de divulgar outro vício…

O governo combate o fumo de um lado e o exibe de outro, como arma! Se alguém achar que é hora de tirar o fumo, tomemos cuidado. Há deputados que defendem a libreração das drogas, e periga, sem querer, tirarem o fumo e o café, para colocarem maconha e cocaína. Vício por vício…

Pregado no poste: “Meu coração é só de Jesus; seu pulmão é da Souza Cruz?”

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