Opção pelos ricos

Eis que chega o Correio Popular do dia 12 — de agosto. Ainda bem que veio com uma boa notícia. Seu Pagano foi pedir a benção ao doutor Roberto Marinho para restaurar nossa Catedral, que levou 75 anos para ser construída em louvor à Nossa Senhora da Conceição e, pelo jeito, levaria outros 75 para ser preservada com a dignidade que a Matriz merece.

(O prefeito aproveitou a visita ao dono do “plim plim” para ver se consegue apagar outra de nossas vergonhas — o estado de calamidade a que chegou o prédio do Colégio “Culto à Ciência”. Não devia. Recuperar o “Culto” é missão do governo, que é dono dele e o abandona, como atestado da indigência mental dos governantes. Com o que a sociedade é obrigada a pagar durante um mês, por exemplo, aos deputados estaduais — que nos custam muito caro pelo nada que fazem — muito seria feito pelo colégio, cujos professores — mal pagos — fazem muito mais em benefício da sociedade do que toda a Assembléia Legislativa.).

A Catedral, assim como a Igreja do Carmo, a “matriz velha”, são os marcos de Campinas, cidade fundada sob o símbolo da cruz por bandeirantes paulistas que semearam a colonização e deram, com sua saga, esse tamanho continental ao Brasil. Os dois templos estão na origem da nossa história e a Prefeitura é obrigada a liderar a luta pela perpetuação dos monumentos que simbolizam nosso passado. Um povo sem passado não merece o presente nem tem futuro. Mesmo que não houvesse nessas casas de oração qualquer valor artístico ou arquitetônico, o que importa é o que eles significam para esta terra. A Estação da Luz, em São Paulo, é uma miscelânea de estilos, mas foi tombada porque, só depois dela e por causa dela, São Paulo tornou-se metrópole. Assim está nos documentos que justificam seu tombamento.

Por mais de um século, os sinos dessas duas igrejas regeram o tempo e a vida de Campinas, acompanhados, nos últimos setenta anos, pela sirene do Correio Popular. Nelas foi batizada, crismada, fez a primeira comunhão, casou-se e foi chorada após a morte a maior parte dos campineiros que ergueram esta cidade, de braços abertos para povos de todas as terras e de todas as fés. Até sem. Mesmo ateus buscaram refúgio em suas naves, em momentos de perseguição política. E ganharam abrigo.

Agora, no projeto de preservação da Catedral, uma medida que pode despertar indignação em Nossa Senhora, padroeira da cidade: “o cercamento do prédio com grades”, porque “a intenção é retirar do Largo da Catedral moradores de rua, menores infratores e prostitutas que habitam as escadarias do prédio.” Santa Mãe de Deus! É isso mesmo? É assim que está no Evangelho? São Pedro ergueu a Igreja Católica escorraçando os pobres, abandonando as crianças à própria sorte e fechando as portas do templo aos desfavorecidos? O Evangelho, então, só serve para ser lido na missa e esquecido ou rasgado da porta da igreja para fora. E os excluídos, de que fala a Campanha da Fraternidade?

Seu Pagano, o senhor concorda com isso? Ah, por favor: peça ao doutor Roberto que plante um majestoso alecrim no Largo e exija a volta dos sinos, mas conservando o som original, se não ele vai sugerir que os sinos da Catedral façam “plim plim”. Já pensou?

PS: Reveladora essa raspadinha do “partidinho”: apaga-se a máscara de Lenin, Marx e Chê e aparecem a foice e o martelo ao lado do cifrão, para confirmar que sem capital, o comunismo morre.

 

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