Onipresença

Deus está na proporção do corpo do surfista, na prancha e no desenho da onda que ele pega. Está na formação dos redemoinhos dos cabelos e dos tornados; do abacaxi, do miolo do girassol, da fruta do conde, das pétalas das flores, do gene da abelha, das correntes marinhas, das estrelas do mar, dos planetas, dos astros, das estrelas, das galáxias, do universo…

É a individualidade, a marca de qualquer artista, designer ou arquiteto. Cada um deseja para sua criação a qualidade que a distingue de todos os demais. E os homens, naturalmente, tem essa individualidade: suas impressões digitais. Há quase sete bilhões de pessoas no mundo e nenhuma impressão se iguala a outra. Tudo o que tocamos é marcada com pequenas imagens, revelando a quem quer que veja quem esteve ou está ali.

A Arlete Ioriatti me manda um vídeo mágico, que conta:

“Há uns 1.200 anos antes de Cristo, Leonardo Pisano, também chamado Fibonacci, descobriu uma sequência de números que tem um padrão imutável. Atenção! Começa assim: 1, 1, 2, 3, 5, 8, 13, 21, 34, 55, 89, 144… infinitamente. Cada número é obtido da soma dos dois anteriores. Reparou? Um retângulo, com os dois números dessa sequência interligados, forma o “retângulo de ouro” – retângulo perfeito. Ele pode ser dividido em quadros, com números da sequência Fibonacci em cima e em baixo. Se você quer conseguir um retângulo assim, e dividindo cada quadro com um arco, o padrão começa a construir formas. Veremos se formar a Espiral de Fibonacci.

Creio que tudo o que escrevi até aqui seja conhecido de todos, principalmente dos cientistas. Emociona é que tudo isso voltou à minha memória exatamente meio século depois que uma professora extraordinária, Lydia Helwig, esperou que todos saíssem da sala do terceiro ano da velha Escola Alemã e me encostou na parede. Seu olhar azul, mais penetrante do que a ressonância magnética, ficava transparente. Sem me pegar pelas orelhas, daquela vez, levou-me à sua mesa e desenhou sobre uma folha branca tudo isso que hoje viaja pela rede mundial e está nos livros científicos. Ela fulminou:

— Ouvi quando disseste a uma colega que Deus não existe. Pois aí está: ele existe e deixou Sua impressão digital, no ar que hoje respiras e até nos grãos da terra que amanhã hão de te comer.

Pregado no poste: “Deus é um só, assim como nenhum branco tem o apelido de Pelé.”

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