Onde está o Sr. Laimo?

Você se lembra de quando a Viação Cometa e o Expresso Brasileiro disputavam os passageiros para São Paulo, ali na Campos Salles e no Largo da Estação? Nossa, era uma rivalidade! Não existia Rodoviária. A legendária Cometa, do comendador Tito Massioli e do João Havelange, dizem que eram testas-de-ferro do Vaticano, foi vendida há pouco, mas o charme desapareceu há muito. Triste fim: a garagem virou “igreja”, onde se paga dízimo para alcançar graças. Bons tempos, quando o que se pagava ali era só a passagem para ir a São Paulo, com certeza de chegada.

Gostava da Cometa. Durante anos e anos ela me levou ao ponto final, na Avenida Rio Branco, depois à Rodoviária do seo Caldeira. A admiração era tanta que na única vez em que ela me deixou na mão, registrei a frustração. E hoje, quase 33 anos depois, achei, entre as folhas de um dicionário de Inglês, o “registro”, escrito com uma das primeiras canetas hidrográficas, tinta verde, no verso da passagem, comprada para o ônibus das 12 horas, que saiu da Avenida Dr. Campos Salles, 874, no dia 21 de julho de 1969, poltrona 17. Preço: NCr$ 3,26 (Três cruzeiros novos e vinte e seis centavos). O motorista foi o Ary, que antes trabalhou nas Lojas Americanas.

Texto do lamento: “No dia 21.07.69, foi a primeira vez que um ônibus da Viação Cometa me deixou no caminho. Na véspera, o homem desceu na Lua, pela primeira vez também. O carro, nº 546, apresentou defeitos em seu carburador às 13:05h. no km 21 da Via Anhangüera. Segui viagem de “carona”, cedida por um Sr. Laimo, grego, que ia a São Paulo em um Volkswagen vermelho chapas 1.16.04.32, de Campinas. Ele estava acompanhado de um cacho de bananas no banco traseiro.”

Naquele tempo, ninguém se recusava a dar carona. Nem me lembrava mais do gesto de generosidade do Sr. Laimo, que eu não conhecia e nunca mais vi. Foi mais um daqueles seres humanos que fazem o bem sem olhar a quem nem pedem nada em troca. Talvez, até tivesse me oferecido uma daquelas bananas. Se você conhece o Sr. Laimo ou tem a ventura de ser seu parente, por favor, me mande notícias dele. Nem que seja para eu dizer, de novo, “muito obrigado!”.

Pregado no poste: “Argentinos já batem em políticos; chineses matam traficantes”

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