Omissão e tolerância

As noites de Natal destas Campinas eram mais felizes e em paz, quando não havia tolerância com bandidos nem com traficantes e usuários de drogas. Tratamento para estes e cadeia para os bandidos, até que fossem mortos por desafetos de cela.

Havia marginais famosos, mas suas caras apareciam na mídia só no dia da prisão e não se falava mais neles. Quem defendesse ou traficasse droga era execrado até por animais do Bosque ou de rua. Não mereciam convívio fora da jaula. Mas os tempos são outros: assassinos são tratados como celebridades; defensores das drogas até são eleitos, como se ser eleito fizesse alguém importante. Sanguessugas, mensalões e fabricantes dos próprios salários estão aí para mostrar que não prestam.

Enquanto isso, na noite do Natal passado, o engenheiro civil e empresário campineiro José Ângelo Jóia, de 48 anos, foi assassinado com um tiro na cabeça, quando passeava de carro com os pais, um cunhado e uma sobrinha pela Avenida Princesa d’Oeste. A família, que mora em Corumbataí, observava a decoração dos prédios e da avenida, quando ao parar com o carro num semáforo perto do ‘Brinco de Ouro’ viu dois homens, um deles armado.

Atiraram na cabeça do engenheiro e roubaram o carro. Jóia morreu no Hospital Mário Gatti. Foi o 16º latrocínio do ano em Campinas. O ataque aconteceu às 10 da noite, na esquina da avenida com a Rua Conde d’Eu, entre um ponto de ônibus e uma loja de carros, a poucos metros do estádio.

“Saíamos do carro quando o assaltante disparou”, contou o administrador de empresas Oscarlino Barcelos Júnior, cunhado do engenheiro. Jóia ajudava o pai, de 83 anos, que tem dificuldade de locomoção, a sair do veículo. Depois do tiro, os ladrões ainda apressaram o administrador a retirar o sogro do carro, enquanto Jóia estava caído no asfalto. Os dois homens fugiram no carro.

As outras pessoas não foram feridas. Os pais do engenheiro ficaram em estado de choque. O corpo de Jóia foi enterrado na tarde do Natal, no jazigo da família, em Corumbataí.

Todos voltavam para um apartamento na Rua Barreto Leme, da irmã de Jóia, para a ceia de Natal. Para seu cunhado, Oscarlino Barcelos Júnior, o bandido estava drogado.

A turma dos direitos humanos não protestou contra os criminosos nem o deputado Fernando Gabeira mudou de opinião.

Pregado no poste, com licença do Rogério Verzignasse: “Em Campinas, os sinos de Natal não batem. Apanham e dobram de dor”

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