Olha o passarinho!

É muita coincidência! O Francisco “Xeque-Mate” Pacóla telefonou sexta-feira: “Sabe aquele trechinho de terra da rua Hercules Florence, de que você falou na crônica? Puseram o nome de Paulo Setubal nele! Eu moro por ali”. Com todo respeito pelo cidadão de Tatuí e pai do meu considerado Olavão Setubal, isso é uma sacanagem. E deve ser repudiada por todos os fotógrafos de Campinas. O Paulo bem que merece ser homenageado em todas as cidades, mas não mutilando o Hercules.

Naquela mesma sexta-feira, desencaixotando livros aqui em casa, qual o primeiro que me aparece? “As maluquices do Imperador”. De quem? Do Paulo Setubal. Primeira edição, 1927, comprado na Casa Genoud. Um livraço, do tempo em que ele era cronista do Estadão.

Madrugada de domingo, abro a Internet atrás do Corrreio Popular e vejo duas reportagens: uma com um dos melhores fotógrafos do mundo, o Reginaldo Manente, amigo de muitas jornadas, e outra sobre o barão Gerorg Heinich von Langsdorff, naturalista alemão, líder da missão científica que passou por Campinas e percorreu o sertão brasileiro no início do século passado. Os “Diários de Langsdorff” compõem uma verdadeira série de reportagens sobre esta terra, retratada justamente pelo Hercules Florence, nascido na França, campineiro desde jovenzinho. Fez de Campinas o berço da fotografia. Até minha avó (lembra dela, Beto Godoy?) sabia disso. Menos quem inventou de cortar um pedaço do Hercules e colar o Paulo Setubal no lugar. Coisa de quem não tem o que fazer.

Quando o Pacóla contou, achei que ele estivesse enganado. Fui tirar a limpo. Graças à santa paciência da Margarete do Carmo, telefonista aqui do Correio, ela descobriu, na lista telefônica de endereços, que existe, mesmo, a Rua Paulo Setubal, em Campinas. “É bem curtinha”, avisou. E me passou o telefone de um morador. Liguei. Fui atendido por uma jovem de nome Rosana Martho. Ela contou tudo. “O senhor conhece Campinas?” Eu disse: “Só até 1974”. Com a ajuda mãe, a Rosana informou: “A Paulo Setubal termina aqui na Antônio Lobo com a Delfino Cintra, mas não sei se começa nessa Barão Geraldo de Rezende; ela fica perto do Giovanetti…”.

Antes que a saudade aumentasse, agradeci o incômodo de ter ligado numa tarde de domingo e de ter sido tão bem atendido. Ainda fiquei sabendo que até o Giovanetti mudou. “Logo, logo, vão colocar o Castelo no Bosque e a Catedral dentro do campo da Ponte”, pensei.

Caros amigos Henrique de Oliveira Júnior, Waldemar Padovani e Antônio Carlos Erbolato, patriarcas da fotografia em Campinas, vamos pedir que devolvam ao patrono dessa arte que vocês honram o pedaço que tiraram dele? Já que está na moda, uma passeata, com todo mundo: Nelson Chinaglia, Felipe Crhist, Neldo Cantante, Luiz Antônio Granzoto, Zé de Oliveira, Niquinho, Lago, Laerte Zago, Sudan Legendre, Nerivelton Araújo, Manuel Marques, Alexandre Batibugli, João Batista, Augusto de Paiva, Cláudia Lima, Valéria Abras, Jefferson Copolla, Jaime de Carvalho Jr., Manuel de Britto, Ary Ferreira, Martinho Cayres, Ralph Turatto…

Já imaginou que fotos?

 

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