Observando bem…

Misture clones, pés, letras, abóboras, mães, o planeta Marte, italianos, mar e cultura. Sabe o que acontece? Uma divertidíssima coleção de pequenos livros escritos por uma médica-veterinária, que passou a vida examinando a qualidade do leite servido à população e, ao mesmo tempo, observando a vida, as manias e os caprichos das pessoas em seu dia a dia. O resultado é uma leitura gostosa e descontraída. Está certo que um dos livros, de tão descontraído, até leva o nome de “Cultura inútil”. Mas quando se termina de ler a obra, fica a constatação: “Não é que é tudo verdade?”.

Essa doutora dos bichos, Eliana Cembranelli, mostra que viver entre os animais deu a ela um agudo senso crítico para analisar a alma dos homens – e das mulheres. Veja só um pequeno relato de suas observações:

Coisas difíceis de se ver – aeromoça feia, trio cantando música sertaneja, ladrão batendo na porta, político honesto, horóscopo que dê certo, sogra simpática…

Definição – o número do celular é uma coisa que se dá a todo mundo quando se quer fazer boas vendas ou conseguir votos, mas que se manda mudar assim que fica rico ou consegue cargo importante.

Coisas que se compram só por necessidade – remédio, guarda-chuva, lâmpada, bateria nova para o carro, colchão ortopédico, despertador, chaveiro, elástico…

Como era a vida antes do… – fax, trator, hambúrguer, panela de pressão, motéis, chiclete, modess, máquina de fatiar mussarela, CD, pílula, computador…

Coisas que já foram boas – correios, assistir às corridas de Fórmula-1, namorar dentro do automóvel, andar descalço na praia, usar sutiã, estudar Direito…

Provas da primeira Olimpíada – escorregar na geléia, jogar torta na cara um do outro até acertar, correr dos leões…

Para que servem? – caneta a laser, atestado de boa conduta, adesivo escrito “bebê a bordo”, fantasia usada, cabide forrado de cetim com lacinhos, cavalo manco…

Coisas desprezíveis – a parte branca da melancia, a ponta do pão Pulman, o comecinho da mortadela, a muleta depois que se tira o gesso…

Acidente – quando você bate o carro, as primeiras perguntas, pela ordem, são: Alguém se machucou? Quem estava certo? Você tem seguro? Você está nervosa? Para onde você estava indo? Já chamou a polícia? Quem estava dirigindo?

Tipos de mães – Mãe trem: só chega atrasada; Mãe Jornal Nacional: nunca dá opinião; Mãe Mike Tyson: briga com a família toda e depois vai rezar; Mãe cheque especial: socorre todo mundo no fim do mês; Mãe caneta Bic: faz falta até em velório.

O que irrita – criança mal-educada quando não é filha da gente; os espanhóis da TV a cabo; carne de porco crua; briga de judeu com palestino; telefone do disk-pizza ocupado; pneu furado; aumento de condomínio; regime para emagrecer; atender interfone de madrugada; pagar imposto; comprar presente para ex-marido; aula de cursinho sábado à tarde; unha encravada; desodorante vencido; velho metido a galã; ônibus atrasado, greve de metrô…

O que não existe – parente gay, freira mentirosa, padre caloteiro, pobre confesso, morto respirando, pai safado, lixo perfumado, político bonito, mãe adúltera, japonês burro, modelo feia, primeira-dama alegre, alemão fraternal, brasileiro organizado, professora que posou para foto pornô…

 

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