Obrigado, dr. Popílio!

O pesquisador científico não precisa encher folhas e folhas com sua coleção de títulos. O que ele é, como ele é e o que ele faz falam por ele. Assim são todos, assim são os do Instituto Agronômico de Campinas. Sem eles, sem exagero, parte da Humanidade estaria morta de fome e outra parte nem teria nascido. Ontem, um deles foi chamado por Deus para comandar um “Dia de Campo” no céu. (Quietinho, mestre Alcides Carvalho vai formando no espaço o maior centro de pesquisa agropecuária… Deus não é bobo.)

E lá se foi o magistral Popílio Ângelo Cavaleri, minha primeira “cobaia” como repórter do ‘Estadão”, há quase quarenta anos. Quando eu errava ao transmitir seus conhecimentos aos leitores, em vez de me xingar, ele me chamava lá para ensinar. Assim eram todos e graças à grandeza e humildade de cada um deles, aprendi as lições da terra e as lições desses homens importantíssimos para todos nós.

Enquanto se gastam milhões de horas e reais para falar das vantagens dos produtos naturais, o doutor Popílio, pesquisador de algodão no instituto, deu para mim o argumento definitivo: “Em resumo, garoto, tudo de bom que se faz na cama, se faz sobre lençóis de algodão. Nada é melhor do que essa fibra na cama, na mesa, no banho e no guarda-roupa.”

Foi a gana do Popílio, do dr. Pimentel Wutke e do mestre Alcides que abriram caminho para o Brasil colher sua maior riqueza – o café – com máquinas. Queriam baratear a bebida e livrar bóias-frias de um trabalho duro. Geniais, provaram que uma colhedora de cereja nos EUA poderia colher café por aqui. E ela colheu — para espanto dos próprios americanos e alegria do seo Sunji Nishimura, que levou do instituto o Fava e o Rigitano para a sua “Jacto Máquinas Agrícolas” chegar lá. Era 1976.

Lembro-me de que a insensibilidade eterna dos governantes paulistas capachos da ditadura os tornava surdos diante da importância dos cientistas para a Nação. Contamos que havia pesquisador fazendo locução de rádio, vendendo roupa de porta em porta até trabalhando de jardineiro e paisagista para garantir uma vida melhor em casa.

Foi assim que Popílio, Wutke e outros colegas desenharam para as ‘otoridades’ a carreira dos pesquisadores científicos. Eles são sempre assim: não conseguem viver e trabalhar se não for pelo bem estar da Humanidade.

Pregado o poste: “Deus está em boa companhia”

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