O torneiro-mecânico

Imagino que ele tenha começado humildemente até chegar àquela multinacional com filial na região do ABC, que todos teimam em chamar de “ABC Paulista”, como se houvesse no mundo outra região do ABC. Não sei se no ABC ele aprendeu o beabá para viver de blá, blá, blá. Tem lábia de enganar executivos, legislativos, judiciários e beldades. De enfrentar autoridades civis, militares e se apegar às eclesiásticas.

Era um simples torneiro mecânico na linha de montagem da poderosa indústria. Porém, fora da linha, tornou-se um líder da categoria. Ganhou prestígio, aparou a barba e conquistou os chefes, do chão da fábrica ao topo da administração. Predestinado. Admirado na comunidade. Certamente, sofreu oposição, perseguição, preconceito. Claro: que operário que se destaca não é visto com desconfiança pelas elites e pelos CEOs, MBAs, PHDs, chairmen of the board de uma empresa – o que quer dizer tudo isso?

Aliás, foi isso que passou a vida a perguntar, até chegar lá, como membro da comissão de fábrica na mesa da diretoria-executiva. Justo ele, que tanto lutara para ver um operário na direção dos grandes conglomerados de seu País, agora era um deles.

Na primeira viagem ao exterior, como bom garanhuns, digo, garanhão, seduziu uma beldade que sonhava ser celebridade. Foi em Salvador a primeira vez. Ela, professora de educação física (assim se apresenta) e jornalista (idem), dava expediente na malhação dos hóspedes de um hotel baiano. ‘Dava expediente na malhação’ no bom sentido da expressão.

Atração fulminante. Foram oito anos de chamego entre os dois e entre outros diretores da empresa e garotas por ela enfileiradas. Quando começaram, ela ostentava 36 anos. Hoje, aos 44, tem currículo, charme e simpatia: centenas de viagens internacionais, imóveis aqui, ali, lá e acolá até programas na televisão (talk show, sabe como é?) e página na Internet, com o logotipo da multinacional que patrocina(va) esse fulgor.

Por um momento, vocês pensaram no ex-presidente Lulla, não é? Mas essa é a história de Adryanna Maravalhas Barros, menina humilde de Garça, flagrada pela direção da Volkswagen, depois de usufruir as belezas da vida com o diretor da empresa Klaus Volkert. Os acionistas também querem a cabeça dos outros.

Pregado no poste: “Pra governar precisa ser ladrão?”

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