O tijolo e o tapete

Por muito tempo, criança alguma nascida em Cosmópolis, a bela, recebeu o nome de Luís. Nem de Luís Carlos. Pais tinham pavor desse nome. E não era por causa do comunista filho do tinhoso Luís Carlos Prestes, em voga na época. Tirando a tijolada, que rachou a cabeça do padre Germano, o coitado, existiu um Luís Carlos em Cosmópolis, a bela, que era capaz de tudo. Lá, ele pode esperar sentado: jamais será nome de rua, avenida ou praça, principalmente porque foi numa praça, a da Matriz de Santa Gertrudes, a linda, que o tijolo achou a cabeça do padre. Nome de escola, nem pensar. De santo, então, dá excomunhão.

Há meio século, aconteceu a maior festa em Cosmópolis, a bela. Foi no dia em que Luís Carlos, então com onze anos, mudou-se de mala, cuia e bodoque para Campinas, a orgulhosa. Veio com os pais, Oscar e Rosinha, casal de santos, mais as irmãs Estela, Mara e Bete, quadra de anjos da família.

Foi só contar aqui a façanha do mestre João Tojal, que ensinou todos os palavrões para a igreja de Nossa Senhora das Dores lotada porque o padre Mariano puxou-lhe as orelhas por errar no ofício de coroinha, que outros atritos de moleques com padres começaram a aparecer. O mais inocente é esse da tijolada no padre Germano, o bondoso.

Pois a briga do padre Mariano com o Tojal avançou até a idade adulta (do Tojal, claro). Ouçamos o professor: “A notícia do jornal, em sua coluna no ‘Correio’, pode parecer algo fora dos padrões naquela época e ainda hoje, mas com o padre Mariano, que depois virou cônego, nada deve espantar. Mais tarde, em 1969, ao marcar meu casamento, tive novo entrevero com ele, que queria cobrar preços diferentes conforme a cor da passarela. A vermelha (São Paulo) era mais cara do que a verde (Guarani), e aí fui obrigado a fazer novos desaforos. Resolvi realizar a cerimônia na Catedral. E com um nosso colega de ‘Culto à Ciência’ como celebrante, o padre José Luiz, claro que com autorização do cônego Caram, que já era o pároco da Catedral. Perceba, portanto, que eu não era tão desaforado assim, mas o padre…!”

Ia contar a do fantasma do sino, mas o espaço acabou. Mas ali era lugar de namorar, Luís?

Pregado no poste: “Lulla saiu do ABC, mas não chegou ao beabá; ficou no blá-blá-blá e acabou com Ali Babá”

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