O silêncio das urnas

Nos tais “debates” entre políticos ninguém tratou de certos assuntos porque, em se tratando, as respostas seriam noticiadas. São temas sérios, que ninguém ousa abordar, ora por ignorância, às vezes por interesse próprio ou familiar, quase sempre por medo e, invariavelmente, porque calar convém. Por exemplo, a candidata do presidente nunca disse o que se fez com o dinheiro do cofre que estava na casa da amante do ex-governador Adhemar de Barros. O pessoal do PDT, herdeiro do brizolismo, jamais é cutucado para informar o destino do dinheiro que o Fidel Castro jura que mandou para o Leonel organizar o contragolpe de 64.

Os ambientalistas da batalhadora Marina arrepiam sob cuecas e calçolas, quando falam em canaviais e usinas de açúcar na Amazônia. Alguém, por favor, pergunte porque ela se calou diante da reforma e reinauguração da Usina Alcolverde, na cidade de Capixabas, em pleno estado da candidata, ao lado dos seringais? Foi no começo do mês.

Os tucanos odeiam quando dizem que vivem cima do muro. Se eu fosse um tucano, também. Qualquer um sabe que o lugar preferido dessa ave é nos galhos. Então, professor José Serra, esta pergunta vai para o senhor e para a sua mais dileta concorrente: “Como o seu governo vai combater o tráfico e o traficante de drogas? O que deve ser feito com cada bandido? Como descer do galho ou das tamancas e subir os morros do Rio? Como destruir a barricada que eles armaram para impedir a livre circulação de pessoas pelas alças do Minhocão, em São Paulo? Alguém veio ao Jardim São Fernando e à Vila Rica, em Campinas, para pedir votos e prometer acabar com a vida ameaçada de quem tenta morar com dignidade e sem riscos num lugar desses?

Assim, com a mesma coragem que prometem aumentar o salário mínimo, prometem extirpar o maior drama social do Brasil? Cáspite! Ninguém pergunta, todos se calam.

Alguém pode perguntar a cada um e a cada uma se elas e eles apoiam uma pesquisa de intenção de voto em todos os presídios de segurança máxima e mínima? Que tal liderar uma sondagem entre os maiores inimigos da sociedade? Como fica aparecer como preferida ou preferido nos redutos dos traficantes? Pergunta simples: “Em quem o chefe do lugar mandou votar para presidente, governador, senadores e deputados?” Será que o povo trabalhador teria satisfação em dividir seu voto com quem quer matá-lo ou roubá-lo?

Candidatas e candidatos aceitam passar por essa prova? Não adianta vir com o sociologismo do FHC, o estruturalismo do Plínio ou a descriminalização da Marina. Nem esperar que a Dilma consulte o Lula, porque ele começará a resposta assim: “Olha, veja…”

Pregado no poste: “Contra o que realmente ameaça o povo, o silêncio dos culpados”

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