O semeador de carvalhos

Deus levou para morar com Ele uma grandeza imensa chamada José Bonifácio Coutinho Nogueira, campineiro de São Paulo. Um bandeirante contemporâneo, cujo coração pulsava o puro sangue da vontade própria — por isso, inabalável. Inegociável. Daqueles a quem não basta enxergar o futuro – é preciso estar com a comunidade nessa jornada. E como ele sabia!
Numa dessas jornadas, tomou por companheiro o cientista e compositor Paulo Vanzolini (‘Volta por Cima’ e ‘Ronda’, lindas…) e juntos fizeram nas terras paulistas a melhor, mais produtiva, duradoura e autêntica revisão agrária da história brasileira. Em paz. “Só não deu tempo de chegar ao Pontal do Paranapanema”, lamentou, numa de nossas conversas. Deu no que deu.
Em outra jornada, transformou a TV Cultura de São Paulo na primeira televisão educativa do Brasil — até hoje, estrela solitária no universo degenerado da TV brasileira. O que se salva é cópia da sua inspiração em cada Estado. E o que de lúcido e brasileiro resta na programação da rede maior – ou alguém se envergonha de assistir ao ‘Terra da Gente’, ‘EPTV Comunidade’, às duas edições dos jornais regionais? Quem não se emocionou diante das andorinhas, da vida do Portinari, do café, dos beija-flores, dos peixes da piracema do Rio Pardo, dos caminhos da roça, das terras de engenho…?
Quando secretário da Educação de São Paulo, ele me contou um de seus sonhos – e tantos ele realizou! – e eu jamais me esqueci: “Precisamos que as escolas ensinem nossas crianças, nossos jovens, a plantar carvalhos em vez de eucaliptos. O que cada homem faz tem de ser bom e para sempre.”.
Assim era essa ‘lição’ chamada José Bonifácio, também presidente da União Nacional dos Estudantes (que diferença dos presidentes de hoje…); também secretário da Cultura, Ciência e Tecnologia de São Paulo; presidente da Comissão Consultiva do Banco Central; da Cooperativa dos Cafeicultores de Campinas; do Conselho Nacional de Propaganda; da Comissão da Criação do Cavalo Nacional; do Conselho de Educadores da Escola de Pais do Brasil; da Sociedade Harmonia de Tênis; da usina Ester; da EPTV; do Jóquei Clube de S. Paulo; vice-presidente do Banco Comercial de São Paulo, amigo do Cândido Portinari e, acima de tudo, marido da dona Maria Thereza e pai do Boninho, do Sérgio, do Luís Roberto, da Regina, do Martim Francisco e do Toni.
Pregado no poste: “Lá vai o José Bonifácio construir um futuro melhor para o Céu”

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