O segredo de Chavantes

Você conhece Chavantes? Nem eu, mas o mundo da cultura civilizada adora. Chavantes tem uns treze mil felicíssimos moradores, fica do lado de cá do Rio Paranapanema, onde uma ponte pênsil leva a gente ao Paraná. Até hoje, nem os chavantinos (ou chavantenses?) sabem bem porque aquele paraíso se chama assim nem porque o nome daquela boa terra se escreve com “ch” e não com “x”, como manda a boa ortografia tupi-guarani.

Versões não faltam. Dizem que ali, antes de construírem a estação da Estrada de Ferro Sorocabana, há quase cem anos, havia o poste com as “chaves” de passagem do trem: “chave antes” e “chave avante”, daí… Será? Outros, falando sério, juram que o nome era com “x”, mas decidiram mudar para “ch”, para a cidade não aparecer sempre no fim da lista de municípios paulistas. Ô louco! Certo: hoje, depois dela, só viria Zacarias.

São várias atrações, além da ponte: parque florestal, pesca, lago da hidrelétrica, museu, bosque, até a Pedra da Revolução de 32, com a inscrição deixada por um soldado desconhecido: “Assim, os soldados da Constituição derrubarão, de armas nas mãos, a nefasta ditadura no chão – 22 de setembro de 1932.”

E o que atrai artistas do mundo a Chavantes é seu Salão Internacional de Artes Plásticas. Obras maravilhosas de autores brasileiros, principalmente da região, e, duvida?, então, anote: México, Estados Unidos, Argentina, Holanda, Canadá, Itália, Áustria, Espanha, Chile, Venzuela, Dinamarca, Colômbia, Israel, Austrália, Noruega, Croácia, Cuba, Alemanha, Estônia… A última exposição começou dia primeiro e terminou dia 17, com ajuda de todos: associação comercial, médicos, clube de serviço, loja de material de construção, supermercado, agência bancária, câmara, prefeitura – até empresas da vizinha Ourinhos ajudaram. Quando a iniciativa é inteligente, todo mundo participa e ninguém torra dinheiro do povo em bobagens (e sem a honesta e necessária licitação).

São pessoas de elevada sensibilidade que talvez nem conheçam Campinas, ou nem se lembrem mais da nossa cidade, mas agora conhecem Chavantes. Uma pena, só fiquei sabendo porque achei um catálogo. A promoção conta com a garra de uma artista da terra, que também não conheço, Lilia Alonso.

Sabe qual o segredo de Chavantes? Lá existe uma Secretaria de Cultura. (Também existe prefeitura.)

Pregado no poste: “Dona Izalene, o prefeito de Ribeirão Preto renunciou…”

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