O que é isso?

(Vindo de São Paulo pela Anhangüera, há uma cidade logo depois de Valinhos onde o Poder Público já leva mais de 40 dias para consertar o elevador da rodoviária — o povo é condenado a escalar 40 degraus para tomar um ônibus que o leve a qualquer outra cidade, onde nem é preciso ser burro para saber consertar elevador. Basta ao povo saber eleger.)

Terça feira, propusemos aqui aos estudantes de até doze ou treze anos que escrevam uma redação com o título de “Meu bairro”. A cidadã campineira Giselle Adriana Martins, que sozinha tem mais valor do que todas as nossas autoridades juntas, manda o seguinte relato:

“Meu bairro, ah meu bairro!

Meu bairro tem cheiros, sons e matizes que aquecem meu coração e acalanta minha alma. Ainda há crianças que brincam como antigamente (meu filho inclusive), sobem em grandes arvores, soltam pipas – alegres, cruzando o céu com suas cores, brincam de carrinho de rolemã, passeiam de bicicleta…

Escuto o sino da igreja às nove, meio dia e seis da tarde (será que alguém ainda escuta?). Há uma praça central, com brinquedos já gastos é verdade, mas que a garotada se diverte a valer, principalmente crianças que estão de passagem para ir às escolas, tão lindas em seus uniformes e o frescor do começo (cinco aos sete anos).

Onde minha vista alcança há verdes de todos os tons, árvores de todos os tipos e tamanhos. Sem contar as visitas constantes de várias espécies de aves (pardaizinhos, maritacas, beija-flores e até tucanos já nos presentearam com sua visita.).

Uma brisa no meio da tarde carrega perfumes da natureza. E um por do sol esplêndido, que toda tardinha me proporciona um carinho nos olhos. Creio que deva ser assim com as pessoas que nascem, crescem, casam e tem o privilégio de continuar a morar em seus bairros…

Esse é o olhar romântico do meu bairro; pode ser que para outras pessoas seja o pior bairro para viver… Mas para mim é o melhor!

É a Vila Presidente Costa e Silva, ao lado do maior shopping da América Latina, da fazenda Santa Elisa, de Barão Geraldo, da Lagoa do Taquaral etc..

Ainda não sei usar a nova ortografia (para as crianças do parquinho será mais fácil, não?)

Moacyr, tenho quatro filhos (15, 13, 10 e 8 anos). Outro dia, perguntei qual a matéria escolar de que eles mais gostam. Disseram matemática e história, entre outras.

— E educação moral e cívica?

— O que é isso mãe!?

Pois eu não sabia, juro, que há muitos anos não existe mais este conteúdo nas matérias. Fiquei triste, porque apesar desse nosso País ser tão sacrificado por um Poder Público corrupto em todas as esferas, eu tinha desde criança, e ainda tenho, muito respeito e orgulho de ter nascido aqui.”

Pregado no poste: “Deus livre seus filhos de nossas autoridades!”

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