O princípio e o fim

Maria Berenice da Costa Machado, doutora em comunicação social, docente e pesquisadora da Feevale e coorganizadora do livro “História, memória e reflexões sobre a propaganda no Brasil”, dá bem a idéia de como o marketing da droga se instala subliminarmente. É dela esta pesquisa com a propaganda viciante de cigarros através dos tempos, publicada na fantástica revista “História Viva”:

Até bebês eram usados para convencer o consumidor: “Claro que o meu pai fuma Marlboro… ele sabe o que é bom!”

Papai Noel diz que Lucky Strike não irrita sua garganta; o novo Philip Morris é acolhido como um recém-nascido e na hora de presentear o pai, mãe e filho seguem o conselho da marca: “Sempre compre Chesterfield”; “Se você fuma Lucky Strike, não precisa dizer mais nada.”.

Receita para emagrecer: “Se você quer manter uma silhueta esguia, ninguém pode negar… pegue um Lucky Strike, não um doce”. Mexendo com a autoestima: “Essa é você daqui a cinco anos? Quando bater a tentação de cair na auto indulgência, acenda um Lucky Strike.”.

Um dos primeiros reclames da indústria tabagista no Brasil saiu na revista Fon-Fon, em 1914, ilustrado por um homem fumando junto ao nome da marca e de um pequeno texto: “É costume que moças e senhoras não digam mais aos seus noivos e maridos para não fumar (…) Esta marca evita mau hálito, tem perfume agradável, capaz de deliciar as mulheres; é higiênica e chique”.

Conselho de especialista: “Mais médicos fumam Camel do que qualquer outro cigarro”. O doutor indica: “Como seu dentista, eu recomendaria Viceroys.”.

Em meio à II Guerra, o Mappin Stores, tradicional magazine de São Paulo, associou sua marca ao pedido de doações de “quase cinco milhões de cigarros para os soldados ingleses.”.

O poder das celebridades: peça de 1954 apresenta o astro John Wayne como fã dos cigarros Camel há 24 anos.

“O presente inesperado é o mais esperado” — campanha do cigarro Kart, de 1969, mostra a profissionalização da publicidade brasileira na segunda metade do século XX. Guitarra e minissaia: nos anos 60 e 70, a indústria do tabaco investiu em nova estética, para atrair a juventude. Minivestido ilustrado com ‘I Love Capri’”.

“Ministro do Meio Ambiente, Carlos Minc, vai à Marcha da Maconha” (todos os jornais)

“Uma picadinha é igual a uma cervejinha” (Gilberto Gil, Folha de S. Paulo, 2008 ou 2009)

Pregado no poste: “Para que serve um traficante?”

 

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