O povo sabe o que fala

A sabedoria popular é imbatível. O povo é o verdadeiro dono da verdade. “Vox populi, vox Dei”, dizem em Roma. “Vox populi, Voxwagen”, repetem na Alemanha, essa definição de Chico Anysio, a mais perfeita tradução do fusca.

Um operário da Bosch estava no ponto do ônibus, aí no Bonfim, lendo o jornal “Notícia Já”, ao lado de um ‘companheiro’, que bicava a leitura. Ergueu a voz e comentou, indignado, a notícia:

— Que coisa feia! Mandaram tirar o crucifixo do Gabinete da Presidência da República!

O ‘companheiro’ foi o primeiro a reagir:

— Tiraram nada! Jesus Cristo é que fugiu, meu!

Ninguém riu, ninguém brincou nem era Carnaval. É a raiva, quase indômita, mas contida (ainda).

No mesmo dia, dois seminaristas estigmatinos entraram no prédio central da Puccamp e abriram o “Correio” no Pátio dos Leões. Um arregalou os olhos e mostrou a notícia para o outro:

— Como!? Ela tirou a Bíblia Sagrada do Gabinete!? Que coragem!

Fecharam o jornal e foram confabular com outros colegas. Um, que jamais será seminarista, adivinhou em voz alta:

— Que nada! Ela trocou por um ‘catecismo’ do Carlos Zéfiro. Quer me enganar que vocês não conhecem? Nunca rezaram, digo, nunca viram? É o catecismo mais famoso do Brasil. Pode crer que elas e eles lêem e escondem debaixo da almofada do sofá – ou do tapete.

No City Bar, não se falou em outra coisa: o passaporte diplomático para os políticos e para os filhos e netos dos políticos viajarem o mundo às custas do povo. Incrível: no mesmo dia, três deboches contra esse povo, disparados de Brasília, aquela cidade com nome que rima com quadrilha nas festas juninas e no ano inteiro – rima preciosa. Até que um dos felizes freqüentadores exibiu sua dúvida:

— Político que pede passaporte diplomático para o filho de dois anos não merece um passa-moleque?

Mas o povo sabe reagir. Jeany Mary Corner, a cafetina de Brasília que derrubou um ministro com a ajuda de um caseiro, avisa que está fula vida, porque ninguém aparece para comer na casa dela.

Pregado no poste: “Lulla ganhar selo dos Correios é fácil; quero vê-lo merecer o ISO 22000”

 

 

 

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