O olhar da Capitu

Agora, ele voa como a bola, a eterna “magia e movimento; a harmonia e o equilíbrio do universo”.

Armando era o mago. Suas palavras, nas páginas, nas telas ou na mesa de um botequim, faziam do mais ferrenho flamenguista, um botafoguense desde 1910. Afinal, como não ser alvinegro, depois de saber que a “folha seca” de Didi era “mais enviesada do que o olhar da Capitu?”. Depois dessa definição, muita gente foi reler “Dom Casmurro”, para sentir o fascínio daquele toque de mestre. “Louvemos o poeta Zico, que jogava futebol como se a bola fosse uma rosa entreaberta a seus pés.”. Se o rubronegro Zico mereceu esta comparação, o que ele diria se o craque fosse alvinegro?

Ainda se discute mundo afora a melhor definição para a magia de outro gênio. Escolha, se for capaz. Na manchete, o ‘Dayli Telegraph”, de Londres, se rendeu após o empate com a Inglaterra, na Copa do Tri: “Deus tem nome: Pelé”. Armando foi na alma: “Teria nascido bola, não tivesse nascido gente”.

Sensível como o acorde de um violino. Quando soube que ‘Magic’ Paula escrevia artigos no nosso “Correio Popular”, desmanchou-se de alegria ‘pela nova colega’, uma paixão dividida com Hortência — a outra. E anunciada para leitores de todos os jornais que publicavam sua coluna “Na grande área”. Só um foi pequeno e censurou as juras de amor desse “velho marquês de Xapuri”, como se apresentava. “Pode ter sido falha da oficina”, justificou, com a elegância dos grandes.

Sensível como a mensagem de uma notícia bem escrita. Mestre maior na arte de informar com palavras, humilde na hora de reconhecer um talento nascente, confessou certa vez que contratou nossa Ilze Scamparini pelo texto simples de um recado que ela lhe mandara, desculpando-se pelo atraso a uma reunião por causa da chuva. *Moacyr Castro é cronista do ‘Correio Popular’

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