O mais esperto

Não há malandragem que resista a bons repórteres. Destronaram Richard Nixon; queimaram a empáfia do Collor; exibiram as caixas de dinheiro da Roseana; acharam PC nos confins da Ásia; mostraram Zé Dirceu sem máscara; contaram o constrangimento imposto por Palocci a um humilde servidor; revelaram a deputada bailarina fazendo da Câmara, cabaré; descobriram o amigo do Lulla incitando a horda de nazistas contra o Parlamento… Quase sempre, há um repórter na alavanca de cada mudança no rumo do mundo. Pena que existam tão poucos.

A eles devemos muito de nossa liberdade e do conhecimento da vida que nos cerca. Em todas as dimensões – dos falsos mendigos ao chefe de plantão na Casa Branca, os olhos do repórter vêm o que precisamos ver e não percebemos – “Só repórter olha pela fechadura com dignidade”, diz Armando Nogueira. “Só repórter sabe contar a história à queima-roupa”, dizia mestre Carlito Tôntoli. “Se der liberdade de imprensa, meu império não dura um dia”, temia Napoleão Bonaparte. Roberto Godoy vê notícia no olhar de um desconhecido atravessando a rua.

Assim viu Rogério Verzignasse um bando de estelionatários a recolher esmolas num cruzamento, para ‘tratar da saúde’ de uma criança. Assim Fábio Gallacci viu a malandragem no olhar de um ‘pobre’ aleijado a cruzar a rua de muletas.

O repórter Alberto Luchetti, que conheci quando vestia calças compridas pela primeira vez, para ser repórter de plantão na Central de Polícia, para o ‘Estadão’, conversa com um engraxate na frente da Biblioteca Municipal “Mário de Andrade”. Ouve um, outro, puxa conversa com um mendigo, outro, mais outro, muitos mais, e descobre: nenhum era mendigo! Quadrilhas dividiram São Paulo em pontos de ‘pedição’ e cobravam pelo uso das escadarias do Teatro Municipal, da porta do cemitério do Araçá, das entradas do Viaduto do Chá… Muitos pontos. De repente, a pepita: todos moravam num hotel, de onde saíam pelas manhãs para “trabalhar”. Nunca a polícia fez nada porque, diziam, bem, diziam…

Wilson Marini, outro puro-sangue, achou que aquele velhinho de saco nas costas, atrás de esmolas no Largo Treze de Maio, em Santo Amaro, tinha algo estranho. E como tinha! Vivia num cubículo e era pai do governador de São Paulo José Maria Marin.

Luchetti é pai da All TV, primeira TV interativa via Internet do mundo. Patente mundial. Além de esperto, inteligente.

Pregado no poste: Para ver – e sentir: alltv.com.br

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